Selecione inicial da EQUIPE: A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z
Selecione inicial do PAÍS: A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z
 

COMO NASCE UMA PAIXÃO

Minha primeira vez na Javari

por Estevan Mazzuia, do Jogos Perdidos

*clique nos nomes dos times para ver seus escudos*

Para me apresentar, nada melhor do que falar da minha primeira vez... era uma mina bonitinha, da faculdade, eu fui à casa dela e...

Peraí, errei de primeira vez...

A história começa nos domingos de macarronada na casa de vovó, quando tínhamos que esperar o vovô chegar do jogo do Juventus, nas manhãs ensolaradas da Javari... Nunca tive a felicidade de ir a um estádio com meu saudoso vovô, mas numa daquelas manhãs recebi a alegre notícia de que meu tio me levaria ao Pacaembu para assistir Corinthians x Juventus.

Eu tinha apenas 9 anos e jamais imaginava que ali estariam nascendo minhas duas grandes paixões futebolísticas, não havia melhor maneira de começar.

Como sempre, o Juve deu trabalho, o Corinthians tinha Waldir Perez, Dida, Wladimir, Marcos Roberto (autor do primeiro gol), Eduardo Amorim (autor do segundo) e o Juventus com sua máquina de ilustres desconhecidos...

Placar final, 2 x 1 para o Corinthians, o coração se confirmaria alvinegro, mas algo dizia que um grande espaço estava reservado pra conhecer as razões que levaram aqueles bravos torcedores de grená a pular e gritar na ânsia da sempre "impossível" vitória do Moleque diante de um grande...

Finalmente, esse espaço foi preenchido em 91, quando pela primeira vez pisei no templo sagrado do futebol, o Estádio Conde Rodolfo Crespi, mais conhecido como Javari, mas que também poderia ser Rodolfão, por que não?

Mas essa é outra história...

Era um domingo, se não me engano...

Paulistão de 91... aquele em que inventaram esse negócio de A2 pra salvar o São Paulo da Segundona, embora os sãopaulinos entrem em desespero quando citamos esse fato...

Durante muito tempo esperamos por aquele dia, eu e meu primo Foca, que alguns conhecem simplesmente por Santiago.

O Juventus, uma máquina que conseguiria ascender ao grupo A1, enfrentaria o São Bento, se não me engano com uma campanha lastimável.

O Foca veio em casa almoçar, e ficamos aguardando a hora sagrada, 15 horas... quando São Pedro, como que por maldade, resolve chorar da forma mais devastadora, e por um momento nosso programa passa a ser assistir Raul Gil e seus convidados carregadores de banquetas...

Foca, como sempre, amarela e cogita a hipótese de adiar aquele sonho... "E se lá não tiver lugar coberto?"

Besteira... Arquibancada descoberta é para estadiozinhos como o Cícero Pompeu de Toledo. O Rodolfão possui populares cobertas!

Criamos coragem e lá fomos nós... Que maravilha o desenrolar da peleja debaixo daquele aguaceiro.. Que sensacional aquele grupo escondido na parte inferior das populares, com seu surdos e taróis desafinados...

E aquela figura mágica, mitológica, antológica que mais tarde eu descobriria se chamar Manjuillo, Sérgio Manjuillo, "olha aqui o Édson Natali, gente, uma salva de palmas pra ele"; "Esse aqui é o Siller, vice-presidente, fala aí com ele"

Mas naquele dia, eu ainda não sabia de nada... Só sabia que aquele time de grená havia me conquistado para sempre, que aquele estádio era o melhor que eu já havia visitado, e que aquele time ainda me daria muitas alegrias verdadeiras...

A vitória por 1 a 0 foi o menos importante, diante de tudo que estaria por se desenhar na relação que desenvolvi com aquele time...

Como é bom saber que a Rua Javari, destino sonhado por tantos amantes do esporte bretão, é ali, pertinho...

Estavan Mazzuia é biólogo e participa do Clube dos Doentes, turma apaixonada por futebol e por jogos ditos "perdidos".

Veja o site JOGOS PERDIDOS.