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PERIPÉCIAS PELO INTERIOR DE SÃO PAULO

O que já fizemos para ver a 3ª divisão

por Fernando Martinez, do Jogos Perdidos

Hoje publico aqui hoje mais uma historinha para vocês.

No ano de 2001, não havia nenhum time paulista jogando a Série C do Brasileiro na cidade e nem na Grande São Paulo. Então tivemos que arcar com as famosas viagens do Clube, para times novos na lista. Duas dessas viagens mais especificamente ficaram na memória: Itu e Mogi-Mirim.

A primeira aconteceu em 21 de outubro. De manhã, eu e o Jurandyr estivemos na Comendador Souza, assistindo a partida entre Nacional 0 x 1 União Barbarense (que eu nem lembrava mais que tinha ido, e nem constava na minha listinha de jogos). Lá também estava um rapaz chamado Sérgio, natural de Nova Friburgo e amante do futebol também.

Eu e o Jurandyr tínhamos o esquema de ir para Itu de busão, gastando os tubos, só para matar a equipe da Friburguense. Como o Jurandyr é xavequeiro mesmo, ele começou a atiçar o grande Sérgio, com palavras tipo: 'Vamos ver o time da sua cidade', 'Vamos encontrar seus amigos de Friburgo', um xaveco furadaço! Mas o melhor de tudo é que funcionou, e o Sérgio resolveu ir lá, e além da carona for free, não precisamos nem bancar o pedágio.

Cedinho chegamos em pleno Novelli Junior, o "Majestoso da Vila Nova", para assistir a contenda entre Ituano e Friburguense. Regados a muita pipoca, salgadinho e raspadinhas de groselha azul, acompanhamos a partida debaixo de um calor insuportável, suando em bica. Final de jogo, 1 a 1.



Cena do jogo Ituano x Friburguense
Foto: Fernando Martinez.

Mas o melhor ainda estava por vir, depois do jogo, ainda ficamos no vestiário do Friburguense, conversando com os jogadores (entre eles o goleiro Adriano, que já tinha jogado pelo Flamengo) e a comissão técnica, comandada pelo Mimi, grande amigo do Sérgio e gente finíssima! Eles fizeram questão que os acompanhassem até o hotel aonde o time estava hospedado, e nos presenteou com camisas exclusivas da equipe da Friburguense. Genial, é umas das preferidas da coleção.

Perfeito, de graça, matando time e estádio, melhor impossível.

A segunda aventura foi logo depois, em 11 de novembro. Na falta de grana e de alguém para o Jurandyr xavecar, essa foi de busão mesmo, na base da excursão. Tudo para assistir o jogo entre Mogi-Mirim e Tubarão de Santa Catarina.

Também o dia começou no Nacional, num Nacional 2 x 0 São Bento. Depois do jogo corremos desesperados até o Terminal do Tietê para pegar o busão que iria para Mogi. Eu, o Jurandyr, o Mílton, o Estevan e o David estávamos nessa, e foi fantástico. Busão lotado e nós, os únicos acordados no ônibus, falando alto e contando as fantásticas aventuras do Clube, o Jurandyr falando sobre o 'quadrangular do ão', e o David e o Mílton mostrando seus conhecimentos sobre o Naça.

Depois de algumas paradas, e quando estávamos para chegar em Mogi, eu olho para o céu e, conhecendo bem o clima do interior previ que iria chover, nessa, o Jurandyr solta uma de suas pérolas mais famosas, praticamente um Nostradamus: 'Na cidade em que eu vou, não chove!!!'.

Não preciso nem dizer o que aconteceu quando descemos do busão na rodoviária de Mogi né? O maior dilúvio que já vi na minha vida, um aguaceiro só, que inundou a rodoviária, e nos deixou ilhados. Sem sabermos o que fazer, e já chegando a hora do jogo, apareceu na nossa frente o que eu acredito que tenha sido um milagre... de verdade.

Um tiozinho desce de um Uno, do nada, e com a rodoviária CHEIA de gente, para do nosso lado e pergunta: 'Vocês vão no jogo?'. Bom, não sei como ele adivinhou isso, mas ele sabia de algo. na hora soltamos que iríamos sim na partida, mas que estávamos esperando a chuva passar, então ele solta: 'Então entrem no carro, eu dou uma carona para vocês!'. Bom, ficamos assustados, mas como era mais do que providencial a caroninha, aceitamos sem pestanejar muito.

Mais do que apertados, e passando direto em todas as lombadas, atravessamos verdadeiros rios, para chegar no estádio. Depois de algum sofrimento chegamos lá, e aí descobrimos que o tiozinho NÃO IA NO JOGO! E ele só apareceu mesmo na rodoviária para nos dar uma carona (!?!?!). Até hoje acredito que tenha sido alguma força extra que fez aquele cidadão aparecer por lá, ainda mais que ele nem ia no jogo...

Bom, o jogo em si foi genial, 4 a 0 para o Mogi. Valendo até uma conversa minha e do Estevan com o ex-goleiro e gentleman Carlos. A foto abaixo é uma das preferidas da minha coleção e mostra um dos gols do Mogi, marcado de pênalti:


Foto: Fernando Martinez

A volta foi um capítulo à parte. Voltamos a pé para a Rodoviária, e no ônibus, já meio de noite, todos também queriam dormir, menos nós, e depois de tanta asneira que foi dita, risadas alto, e alguma confusão, quase todo o ônibus desceu na parada de Campinas (inclusive um grupinho de umas 10 pessoas que viria para SP, mas resolveram esperar o próximo), e voltamos quase sozinhos para SP.

É isso, essas histórias estão entre as preferidas da casa, primeiro pelo ineditismo das partidas, segundo por tudo o que rolou em volta. Fantástico!

Um abraço!

Fernando Martinez é músico e participa do Clube dos Doentes, turma apaixonada por futebol e por jogos ditos "perdidos"




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