| Nosso Caro Amigo
Gostaria de lembrar brevemente do nosso querido amigo Luiz Fernando Bindi, que nos deixou de forma súbita ontem à tarde.
Eu já havia ouvido falar dele por causa dos distintivos, e por causa do livro “Distintivos dos Clubes do Mundo Inteiro”, que foi lançado há cerca de 4 anos. O autor do livro é o jornalista Rodolfo Rodrigues, e o Bindi foi seu principal colaborador durante o trabalho.
Conheci-o pessoalmente no evento de lançamento do livro sobre as Copas do Mundo, que escrevi com o amigo José Renato Sátiro, em novembro de 2006. Ele, assim como todos os que lá estiveram, nos deu a honra da sua presença num momento tão importante para nós, os autores. Lá também estiveram presentes, entre outros membros do que viria a ser o Memofut, o Celso Unzelte (como um dos apresentadores do evento, ao lado do Vitor Birner), o sr. Domingos, o Alexandre Andolpho, e o Felipe Santos – se esqueci alguém, peço desculpas. Aliás, exceto o Celso e o José Renato, conheci pessoalmente a todos os citados neste dia.
O Bindi, neste evento, mostrou ser a pessoa extremamente legal que sempre foi. É como se, por afinidade com a paixão pelo mesmo tema, fôssemos amigos há muitos anos.
Meses depois, o Memofut foi fundado, e o Bindi precisava sem dúvida ser convidado para fazer parte do grupo. Afinal, possuía uma cultura geral incrivelmente acima da média para o futebol (e outros assuntos – nunca vi ninguém igual a ele) e possuía uma das maiores (talvez a maior) coleções de distintivos do mundo, com dezenas de milhares deles. Mais que isto, ele não era só um colecionador de escudos – conhecia a origem dos mesmos e sabia explicar as diferenças e peculiaridades de cada um. Como um exemplo do conhecimento cultural que ele possuía, fez um guia de pronúncias em vários idiomas que é simplesmente impressionante. Eu, que gosto muito de estatísticas e curiosidades sobre a História do Futebol, não acredito como ele era capaz de tanta coisa.
Ao ser convidado, ficou muito contente e aceitou prontamente o convite. A partir da nossa terceira reunião, de julho do ano passado, participou de várias delas, sempre com sua contribuição peculiar e diferente, com marca própria. Em um dos encontros, aceitou humildemente a condição de “regra três”, para falar caso o grande Oberdan Cattani não pudesse vir. Isto acabou ocorrendo, e o bate-papo com ele foi fantástico, como tenho certeza concordam todos os que lá estavam presentes.
Tive a honra de ficar ao seu lado no almoço de fim de ano do Memofut, em que pudemos conversar um pouco mais e ouvir algumas de suas fantásticas curiosidades sobre o meio. A última presença dele nas reuniões do Memofut foi na comemoração de um ano do grupo, com as palestras da Kátia Rúbio e do Fábio Franzini. Na opinião dele, foi a melhor das reuniões do grupo das quais ele participou.
Um outro rápido contato que tive com ele foi no lançamento do seu livro, “Futebol é uma Caixinha de Surpresas”. Estava tão lotado que pude conversar muito pouco com ele neste dia – sua dedicatória guardarei com um carinho cada vez maior. Encontrei-o pessoalmente poucas vezes, mas foram momentos que não esquecerei. Certamente, os amigos e companheiros de trabalho mais próximos poderiam escrever livros somente lembrando de episódios com o grande Bindi.
Ele era geógrafo por formação, e trabalhava com geoprocessamento. Nas “horas vagas”, além de manter o consagrado site de distintivos, tinha um ótimo blog próprio, colaborava gratuitamente em importantes sites e trabalhava ativamente como colaborador do site e revista Trivela e comentarista de futebol pela rádio 105 FM há cerca de um ano. Lembro que ele chegou a comentar, no final do ano passado, Brasil 5 x 0 Equador, pelas Eliminatórias, em pleno Maracanã – ele, a muito custo e com muitos méritos, havia se tornado um jornalista esportivo cada vez mais requisitado e atuante. Na próxima reunião do Memofut, do dia 26, ele provavelmente não iria, pois viajaria para acompanhar o jogo do Corinthians no Paraná. Além disto, há cerca de três anos tinha um quadro muito legal no programa “Fanáticos por Futebol”, da Rádio Bandeirantes, apresentado pelo Marcelo Duarte. Ele, como vemos, estava “atolado” de atividades, muitas delas ligadas ao nosso querido futebol.
Era uma pessoa única, com opiniões fortes, que defendia com muita coragem, e muito “gente boa”. Nunca será esquecido, tanto pelos amantes e estudiosos do futebol, para cuja memória ele tanto contribuiu com seu trabalho, como, é claro, pelos familiares. Ele, enquanto esteve conosco, fez a diferença, e para melhor – não sei se cada um de nós pode fazer mais do que isto.
Minhas sinceras condolências aos familiares, em especial à esposa, que pude conhecer no almoço do fim de ano, e aos pais. Só Deus sabe as razões para ele ter partido tão brevemente. Bindi, obrigado por tudo, e fique em paz.
Gustavo Carvalho
<< Retornar |