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1975
– O GOL ILUMINADO DA GLÓRIA DO DESPORTO NACIONAL
por
Sandro Varela
Olá
amigos do Distintivos.com.br. Nossa série vai avançando.
Agora paramos no ano de 1975, ano em que além de vermos
a ditadura de plantão, com Ernesto Geisel tentando
amenizar a repressão, muito embora os sistemas de tortura
continuassem a fazer suas vítimas, como o jornalista
Vladmir Herzog, vimos o surgimento de um novo valor brasileiro
no salto triplo, modalidade do atletismo que já havia
dado duas medalhas de ouro em Olimpíadas, com Adhemar
Ferreira da Silva em Helsinque-52 e Melbourne-56. O autor
deste feito foi João Carlos de Oliveira, o “João
do Pulo”, que no México conquistou uma marca
que por dez anos perduraria como recorde mundial. Outro fato
marcante daquele ano foi o fim da Guerra do Vietnã
e a independência de Angola. Por falar em pulo, um time
vermelho, que tem no saci-pererê seu mascote deu um
belo salto e aprontou com a concorrência, o Internacional
de Porto Alegre.
O
campeonato de 1975 continuava bastante inchado, com 42 clubes.
A vitória valia os regulamentares dois pontos, mas,
caso um time fizesse dois ou mais gols numa partida ainda
levava um ponto a mais de bonificação. Todos
os clubes participantes na primeira fase foram divididos em
dois grupos com onze e mais dois grupos com dez equipes. Além
disso, o nome do torneio foi mudado para Copa Brasil. Não
nos confundamos com a “Copa do Brasil”, torneio
criado em 1989 onde os clubes enfrentam seus rivais no sistema
de “mata-mata”. Esta Copa Brasil foi o nome encontrado
por uma instituição bancária, que criou
o troféu que era entregue ao campeão até
o ano de 1987, quando a confusão ali estabelecida fez
com que tivéssemos uma longa polêmica e que iremos
tratá-la oportunamente.
Ao
final da primeira fase, América-RJ, Coritiba, Remo,
Atlético Mineiro e Palmeiras pela chave A; Cruzeiro,
Corinthians, Fluminense, Guarani e Tiradentes-PI no grupo
B; Flamengo, Grêmio, América-RN, Figueirense
e Santa Cruz na chave C e Internacional, São Paulo,
Vasco, Goiás e Sport Recife no D passaram para a segunda
fase. Todos estes times foram novamente divididos em quatro
grupos, duas chaves com cinco times e outras duas com seis
equipes. Após dez jogos nos grupos formados com o avanço
de fase, Fluminense, Cruzeiro, Corinthians, América-RJ,
Palmeiras, Guarani, Internacional, Santa Cruz, Flamengo, São
Paulo, Grêmio e Sport Recife, se classificaram para
uma terceira fase e ainda tiveram a companhia de mais quatro
clubes eliminados que vieram de uma repescagem: Botafogo,
Nacional-AM, Portuguesa e Náutico.
A
terceira fase iria definir aqueles times que fariam a semi-final
daquele campeonato. As duas fases finais, semi e final, seriam
disputadas em jogo único na casa do time com melhor
campanha e na chave A, Fluminense e Cruzeiro não deram
chances de contestação à concorrência,
ficando com as vagas. No grupo B, Santa Cruz e Internacional
conquistaram o direito de jogar a fase seguinte. As semi-finais
envolviam quatro times fortes. O Fluminense tinha Rivellino,
Carlos Alberto Pintinho e outros jogadores de expressão,
formando a “Máquina Tricolor”. O Santa
Cruz tinha um miolo de zaga de muito respeito, formado por
Levir e Lula, que são os atuais técnicos de
futebol Levir Culpi e Lula Pereira, além de um atacante
que despertou o interesse de muitos clubes no sul do país
no fim daquela temporada, Luis Fumanchu. O Cruzeiro ainda
tinha a base vice-campeã no ano anterior, enquanto
que o Inter tinha um time bom em todos os setores e também
no banco de reservas, já que era dirigido pelo paulista
Rubens Minelli, um dos mais vitoriosos técnicos da
história do futebol brasileiro.
Nos
jogos semi-finais, os visitantes quebraram o protocolo e fizeram
a festa. Em Recife, o Santa Cruz perdeu para o Cruzeiro por
3 x 2, gols de Palhinha (2) e Zé Carlos para os mineiros,
com Luis Fumanchu anotando duas vezes para o time recifense.
No Maracanã, a “Máquina” parou no
Internacional com uma derrota de 2 x 0, gols de Lula e Paulo
César Carpegiani. A final seria entre gaúchos
e mineiros. O Internacional chegava pela primeira vez a uma
decisão de titulo brasileiro e enfrentaria o Cruzeiro,
time que carregava o peso do insucesso no ano anterior quando
perdeu para o Vasco na final de mando invertido em 1974.
O jogo único e decisivo seria no estádio Gigante
da Beira-Rio, que estava lotado naquela tarde de 14 de dezembro
de 1975. E ela não deixou de ter lances um pouco mais
rudes. Morais colocou sua chuteira na garganta de Lula e Figueroa
distribuiu alguns “cotovelaços” para impor
respeito na defesa colorada. Porém, a garra de um jogador
colorado contagiou a torcida e seus companheiros. O goleiro
Manga, que passou toda a semana sendo considerado dúvida,
já que tinha uma distensão muscular na coxa
fez duas defesas milagrosas e isso de algum modo acordou o
Internacional, que chegou ao seu único gol naquela
partida com uma falta aos 11 do 2º tempo.
O
dia estava nublado em Porto Alegre e para muitos, o gol de
Figueroa é considerado como o “Gol iluminado”.
Valdomiro sofreu uma falta perto da entrada da área
e o chileno passou por ele pedindo o cruzamento dentro da
área. O catarinense ergueu a bola e neste instante
o sol apareceu uma única vez durante o jogo, justamente
quando Figueroa mandou a bola para o fundo das redes de Raul,
decretando o 1 x 0 que daria ao Internacional seu primeiro
título nacional de sua história. Já o
Cruzeiro amargaria de novo uma derrota em finais de campeonatos
brasileiros. O time viria a ser campeão da Libertadores
no ano seguinte, mas só voltaria a decidir um campeonato
nacional 23 anos mais tarde, contra o Corinthians.
No fim daquele jogo, o capitão colorado Figueroa, animado
com a conquista deu um efusivo abraço no árbrito
Dulcidio Wanderley Boschillia e ergueu a taça, ajudado
por um garoto que estaria presente nas outras duas conquistas
do colorado e que marcaria história no futebol brasileiro.
Seu nome? Paulo Roberto Falcão.
Na
próxima semana, voltaremos com uma nova coluna e de
novo com o Internacional, campeão de 1976.
Confira
a ficha técnica da final de 1975:
Internacional
1 x 0 Cruzeiro
Juiz:
Dulcídio Wanderley Boschillia (SP); Renda: Cr$ 1.743.805,00;
Público: 82.568; Gol: Figueroa 11 do 2º; Cartões
Amarelos: Morais e Palhinha (C)
Internacional:
Manga, Valdir, Figueroa, Hermínio e Chico Fraga; Caçapava
e Falcão; Valdomiro (Jair), Paulo César, Flávio
e Lula. Técnico: Rubens Minelli
Cruzeiro:
Raul, Nelinho, Morais, Darci e Isidoro; Wilson Piazza e Zé
Carlos; Roberto Batata (Eli), Eduardo (Souza), Palhinha e
Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira
Classificação
final do Brasileiro de 1975:
1
Internacional
2
Cruzeiro
3 Fluminense
4 Santa Cruz
5 São Paulo
6 Corinthians
7 América - RJ
8 Flamengo
9 Palmeiras
10 Portuguesa
11 Náutico
12 Guarani
13 Sport Recife
14 Botafogo
15 Grêmio
16 Nacional - AM
17 Goiás
18 Remo
19 Atlético Mineiro
20 Vasco
21 Figueirense
22 Coritiba
23 Tiradentes - PI
24 América - RN
25 Bahia
26 Santos
28 Fortaleza
29 Atlético Paranaense
30 Comercial - MS
31 Goiânia
32 CEUB
33 Vitória - BA
34 Ceará
35 América - MG
36 CSA
37 Paysandu
38 Desportiva Capixaba
39 Rio Negro - AM
40
Sergipe
41
Moto Clube
42
Campinense

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