Selecione inicial da EQUIPE: A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z
Selecione inicial do PAÍS: A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z
 

1979 - INTERNACIONAL TRICAMPEÃO E INVICTO

por Sandro Varela

Olá amigos do Distintivos.com.br, estamos chegando com uma nova coluna e desta vez falaremos do mais inchado Campeonato Brasileiro da história, aquele que foi disputado no ano de 1979, ano que vimos o Brasil recebendo de volta os seus dissidentes políticos sem prisões, sem tolhimento de direitos, mas com a Anistia, ampla geral e irrestrita. O fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5), o último título mundial conquistado pela Ferrari na Fórmula 1, com o piloto Jody Scheckter. Depois desta conquista, a tradicional escuderia italiana mergulharia num jejum de títulos entre os pilotos que durou até o ano 2000 e principalmente, o único ano dos 35 em que o Brasileirão é disputado que tivemos um campeão invicto.

O torneio que começou em 22 de setembro e que foi até o dia 23 de dezembro reuniu nada menos que 94 times durante toda a sua disputa. Destes, 12 times tiveram o privilégio de entrar mais tarde na competição, pois estavam atuando nos certames estaduais. Porém, grandes forças como Corinthians, Santos e São Paulo nem quiseram entrar em campo, tamanha era a bagunça da competição organizada pela CBD. O campeonato mostrou em sua plenitude a ignóbil política do partido que dava sustentação ao regime vigente no Brasil e cuja frase já foi estampada diversas vezes nestas colunas já publicadas.

Nesta V Copa Brasil, como o torneio ficou conhecido devido ao patrocínio de uma instituição bancária, 14 clubes ficaram esperando pelas fases posteriores. Americano, Guarani (que era o campeão do ano anterior), Botafogo, Internacional de Limeira, Comercial de Ribeirão Preto, Palmeiras (o vice em 1978), Flamengo, São Bento de Sorocaba, Fluminense, Vasco da Gama, Francana, XV de Jaú, Goytacaz e XV de Piracicaba.

Os demais 80 times foram divididos em oito grupos de dez, que disputavam as vagas em turno único, passando de fase as quarenta e quatro melhores.

Na chave A, Anapolina, Joinville, Avaí, Juventude, Colorado, (Um dos clubes que formaram o atual Paraná Clube, ao lado do Pinheiros), Londrina, Confiança, Novo Hamburgo, Goiânia e Sergipe disputaram as quatro vagas, que ficaram com Londrina, Anapolina, Colorado e Joinville.

No B, Brasil de Pelotas, Criciúma, Caldense, Desportiva Ferroviária (atual Desportiva Capixaba), Caxias, Grêmio Maringá, Chapecoense, Operário de Ponta Grossa, Colatina e o São Paulo de Rio Grande disputaram a classificação que ficou com Grêmio Maringá, Desportiva, Brasil de Pelotas, Caldense e São Paulo de Rio Grande. A vaga do São Paulo foi obtida com os pontos dados pelo tribunal depois do jogo com o Operário de Ponta Grossa, quando o clube paranaense ficou com apenas seis jogadores em campo aos 40 do 2º tempo.

O grupo C teve Atlético Goianiense, Guará, Brasília, Itabuna, Comercial de Campo Grande, Itumbiara, Fluminense de Feira de Santana, Mixto, Gama e Operário de Várzea Grande brigando pelas vagas que ficaram com Gama, Mixto, Comercial e Operário.

O Grupo D teve como componentes América Mineiro, Paysandu, Botafogo da Paraíba, Rio Negro de Manaus, Campinense, Treze de Campina Grande, Campo Grande, Tuna Luso Brasileira, Fast Clube e Villa Nova de Nova Lima, com as vagas ficando com América Mineiro, Campo Grande, Villa Nova de Nova Lima, Campinense e Botafogo da Paraíba.

Não perca a conta e o fôlego. Na chave E, Central de Caruaru, River, Maranhão, Sampaio Corrêa, Moto Clube, Tiradentes do Piauí, Náutico, Uberaba, Piauí e Uberlândia foram a campo e os melhores deste grupo foram Maranhão, Uberaba, Central de Caruaru, Uberlândia e Náutico.

O grupo F teve ABC, Ferroviário, América de Natal, Fortaleza, ASA de Arapiraca, Itabaiana, CRB, Leônico, CSA e Potiguar. Os promovidos foram CSA, ASA, Itabaiana, Leônico e ABC.

O grupo G teve América do Rio, Internacional de Porto Alegre, Atlético Paranaense, Operário de Campo Grande, Coritiba, Rio Branco de Cariacica, Grêmio, Santa Cruz, Figueirense e Sport Recife. Apenas Sport Recife e Rio Branco não passaram de fase nesta chave.

Na chave H, Atlético Mineiro, Goiás, Bahia, Nacional de Manaus, Ceará, Remo, Cruzeiro, Vila Nova, Dom Bosco e Vitória da Bahia disputaram as vagas. Os que deixaram a competição neste grupo foram Remo e Nacional.

Na segunda fase da competição, o campeão e o vice de 1978, Guarani de Campinas e Palmeiras, ainda ficaram aguardando por uma fase posterior. Enquanto isso, Os 44 clubes que jogaram a primeira fase, mais doze times, vindos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro foram divididos em grupos para a disputa da fase seguinte da competição. No grupo I, Coritiba e Atlético Mineiro seguiram adiante. No J, Operário de Várzea Grande e São Bento de Sorocaba conseguiram as vagas. No grupo K, Internacional de Porto Alegre e Atlético Paranaense seguiram em frente. Na chave L, Flamengo e XV de Piracicaba ficaram com as vagas. No M, Vasco e Goiás avançaram. Do grupo N vieram Vitória da Bahia e Uberlândia. Na chave O os classificados foram Cruzeiro e Comercial de Ribeirão Preto.

Na Terceira fase, os 14 clubes da segunda fase, mais o Guarani de Campinas e o Palmeiras formaram os grupos que indicariam um classificado em cada chave para a semifinal. O Coritiba foi o classificado da chave P e pegou na semifinal o Vasco, classificado do grupo S. Já os classificados dos grupos Q e R foram Palmeiras e Internacional. A classificação do colorado para a fase seguinte foi facilitada com o abandono do Atlético Mineiro, que depois de empatar com o Cruzeiro por 0 x 0 se retirou da competição. Com isso, o Inter que já tinha batido o Goiás na primeira rodada desta fase no Beira-Rio, só precisou bater o Cruzeiro por 3 x 2 no Mineirão para ficar com a vaga. O seu oponente, o Palmeiras teve um caminho razoavelmente tranqüilo para chegar a semifinal.

Logo na abertura da fase, o time dirigido por Telê Santana bateu o Comercial de Ribeirão Preto por 5 x 1 no Palestra Itália. No jogo seguinte, em Sorocaba, o São Bento foi a vitima ao levar uma goleada de 4 x 0. Enquanto isso o Flamengo vinha também de uma goleada frente ao São Bento por 4 x 0 e com uma vitória mais magra, por 2 x 0 sobre o Comercial. A rodada final desta chave reuniria no Maracanã Flamengo x Palmeiras. O Mengão já tinha a base que encantaria o país no ano seguinte e o Verdão tinha um time bastante jovem, mas que vinha liderando o Paulistão, que numa manobra política de Vicente Matheus, então presidente do Corinthians, foi paralisado e retomado apenas no ano seguinte.

A tarde de 9 de dezembro de 1979 marcou a consagração definitiva de Telê Santana, que com uma goleada de 4 x 1 sobre o clube da Gávea, carimbou seu passaporte para o cargo de técnico da Seleção Brasileira, a mesma que encantaria o mundo no ano de 1982 na Copa do Mundo da Espanha e que cairia frente a Itália, jogando um futebol bonito e ofensivo. Voltando à partida em questão, Jorge Mendonça abriu o placar e Zico empatou. O empate já dava a equipe paulista a vaga na fase seguinte. Porém a festa palmeirense ficou completa com os tentos anotados por Carlos Alberto, Zé Mario e Pedrinho.

Na Semifinal, o Vasco suou a camisa para passar pelo Coritiba. O time que tinha Emerson Leão no gol e Roberto Dinamite no comando de ataque empatou na capital paranaense por 1 x 1 (Luis Freire para o Coritiba e Catinha para o Vasco) e só conseguiu a vaga no Rio ao vencer por 2 x 1, gols de Dinamite e Paulinho, enquanto que Gardel descontou para os paranaenses.

Já a outra partida envolvia numa repetição do ano anterior paulistas e gaúchos. Se em 1978 o Palmeiras levou a melhor, em 1979 o Internacional ficou com a vaga. No primeiro jogo, disputado no Morumbi, um jornal de São Paulo para criar um clima para a partida citou um duelo entre dois volantes. De um lado, Mococa, que vestia a camisa 5 do alviverde e do outro Paulo Roberto Falcão, o maestro colorado que também usava a camisa 5. O Internacional venceu o Palmeiras na capital paulista por 3 x 2, gols de Falcão (2) e Jair, descontando para os paulistas Jorge Mendonça e Baroninho. No jogo da volta, no Beira-Rio, o empate por 1 x 1 com gols de Jair para o Internacional e Mococa para o Palmeiras selou a classificação gaúcha para a final.

Novamente a final foi disputada em dois jogos, como o Internacional tinha a melhor campanha, o confronto decisivo foi em Porto Alegre. O time do técnico Enio Andrade tinha sua grande força no conjunto e vinha com uma respeitosa campanha até então com 14 vitórias e sete empates. Já o Vasco do técnico Oto Gloria, tinha como pilastras o goleiro Emerson Leão, vindo do Palmeiras e o centroavante Roberto Dinamite. Porém, nem mesmo a dupla foi capaz de frear a força colorada no Maracanã, já que o Inter bateu o Vasco por 2 x 0, com gols de Chico Spina. Se a situação colorada já era boa, precisando de dois empates para ficar com a taça, uma derrota por um gol de diferença no jogo em Porto Alegre dava a terceira taça de campeão brasileiro ao Internacional.

A partida final, disputada em 23 de dezembro viu o Vasco com mais poderio ofensivo no começo do jogo e a melhor chance da equipe cruz-maltina veio nos pés de Wilsinho, que chutou forte contra a meta defendida por Benítez. Já o Inter tinha em Falcão o seu homem mais perigoso, principalmente quando ele encostava nos meias de ligação com o ataque. Aos 40 do primeiro tempo a festa colorada foi decretada no Beira-Rio, Jair limpou de Leão e mandou para o fundo da rede abrindo o placar.

A festa tomou conta de vez da metade vermelha do Rio Grande do Sul aos 11 do seguindo tempo, quando Cláudio Mineiro levantou a bola e ela caiu nos pés de Falcão, que só teve o trabalho de tirar de Leão e mandar para o fundo da rede vascaína. O clube de São Januário precisava fazer três gols para acabar com a festa colorada, entretanto o técnico do Vasco, Oto Glória não acreditava mais que o segundo título de campeão brasileiro fosse para o Rio naquele domingo, preferindo fechar ainda mais o meio-campo com a entrada de Xaxá no lugar de Paulo César.

Enquanto os colorados faziam diversas jogadas individuais, os vascaínos eram o retrato da desordem tática dentro de campo, tentando buscar algum ânimo para a conclusão daquele jogo. O único que ainda tinha alguma lucidez era Leão, que fez alguns milagres em ataques colorados nos minutos finais. A seis minutos do fim, Wilsinho fez o “gol de honra” vascaíno, mas já era tarde.

O Internacional se consagrava como o melhor time brasileiro da década de 70, com três conquistas, Enio Andrade, o “velho bruxo” faturava seu primeiro título nacional, Falcão erguia o seu terceiro troféu nacional e a torcida colorada só queria saber de fazer muita festa naquele final de ano, já que este título tinha um sabor mais que especial. Além de campeão brasileiro, esta conquista veio de forma invicta, algo que nenhum clube nos anos anteriores e posteriores a 1979 conseguiu. O recorde perdura há 26 anos e se alguém quebrá-lo, isso só acontecerá em 2006 no mínimo, pois todos os times que disputam o Brasileirão de 2005 já perderam ao menos uma partida.

Na próxima semana falaremos do Flamengo, que abriu a década de 80 conquistando seu primeiro título nacional e abrindo uma das mais gloriosas páginas do clube da Gávea.

Um abraço.

Confira a ficha técnica do segundo jogo da final de 1979.

Data e Local: 23/12/79 Beira Rio (Porto Alegre)

INTERNACIONAL 2 X 1 VASCO

Juiz: José Favilli Neto (SP); Renda: Cr$ 4.524.850,00; Público: 54.659; Gols: Jair 41 do 1º; Falcão 13 e Wilsinho 39 do 2º

INTERNACIONAL: Benítez, João Carlos, Mauro (Beliato), Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Jair e Falcão; Valdomiro (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio. Técnico: Ênio Andrade

VASCO: Leão, Orlando, Gaúcho, Ivan e Paulo César; Zé Mário, Paulo Roberto (Xaxá) e Wilsinho; Catinha, Roberto e Paulinho (Zandonaide). Técnico: Oto Glória

Confira a classificação final do Brasileiro de 1979

1 Internacional
2 Vasco
3 Palmeiras
4 Coritiba
5 Vitória da Bahia
6 Guarani
7 Operário de Campo Grande
8 Goiás
9 Flamengo
10 Cruzeiro
11 Uberlândia
12 Atlético Mineiro
13 Atlético Paranaense
14 Comercial de Ribeirão Preto
15 São Bento
16 XV de Piracicaba
17 Grêmio
18 Fluminense - RJ
19 Londrina
20 Desportiva Ferroviária
21 Botafogo
22 Vila Nova - GO
23 Uberaba
24 Campinense
25 Joinville
26 Internacional de Limeira
27 América Mineiro
28 CSA
29 Caldense
30 Santa Cruz
31 Francana
32 Dom Bosco
33 América do Rio
34 Campo Grande
35 Ceará
36 Brasil de Pelotas
37 XV de Jaú
38 Americano - RJ
39 Figueirense
40 Operário de Várzea Grande
41 Leônico
42 Colorado
43 São Paulo de Rio Grande
44 Comercial de Campo Grande
45 Botafogo da Paraíba
46 Bahia
47 Villa Nova de Nova Lima
48 Maranhão
49 Central de Caruaru
50 Anapolina
51 ASA de Arapiraca
52 Grêmio Maringá
53 Náutico
54 Mixto
55 Goytacaz
56 Itabaiana
57 Gama
58 ABC
59 Juventude
60 Sergipe
61 Treze de Campina Grande
62 Atlético Goianiense
63 Criciúma
64 Itumbiara
65 Caxias
66 Itabuna
67 CRB
68 Fluminense de Feira de Santana
69 Ferroviário - CE
70 Novo Hamburgo
71 Tuna Luso
72 Brasília
73 Moto Clube
74 Goiânia
75 Potiguar de Mossoró
76 Rio Branco - ES
77 Remo
78 Fortaleza
79 Ríver
80 Confiança
81 Sampaio Correa
82 Fast Clube
83 Piauí
84 Paysandu
85 América de Natal
86 Operário de Ponta Grossa
87 Nacional - AM
88 Colatina
89 Tiradentes - PI
90 Avaí
91 Sport Recife
92 Rio Negro
93 Chapecoense
94 Guará

Sandro Varela é redator do site Autoracing e torcedor do Palmeiras.

Leia as colunas anteriores

Veja o site AUTORACING