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1984 - YES, NÓS TEMOS FLUMINENSE

por Sandro Varela

Olá amigos do Distintivos.com.br estamos chegando com uma nova coluna sobre campeonatos brasileiros e agora avançamos para o ano de 1984. Ano que viu Ayrton Senna despontar como novo astro brasileiro na Fórmula 1, o segundo boicote Olímpico, promovido desta vez pela União Soviética e pelos países da “Cortina de Ferro”. Isso porém, não impediu de o Brasil voltar a conquistar uma medalha de ouro, na prova dos 800 metros rasos, com Joaquim Cruz. O feito foi realçado com a conquista do recorde olímpico que perdurou até 1996. A política interna também esteve efervescente, com a votação da emenda “Dante de Oliveira”, que propunha a volta das eleições diretas para presidente. Contudo, o sonho de escolher o mandatário do país ficou adiado por mais algum tempo, já que a proposta foi rejeitada pela Câmara dos Deputados.

O futebol doméstico partia para mais um campeonato nos mesmos moldes dos anos anteriores, com os estaduais de 1983 classificando para o torneio nacional. Os times eram divididos em oito grupos de cinco, com os três primeiros seguindo em frente e os quarto colocados indo para uma repescagem.

No grupo A, Vasco, São Paulo e Fortaleza ficaram com as vagas diretas. O Tuna Luso, de Belém do Pará ficou com a vaga da repescagem e o Nacional do Amazonas foi eliminado.

A chave B teve Atlético Mineiro, Bahia e CRB avançando de fase. O Treze de Campina Grande esperou pelo jogo da repescagem e o Bangu deu adeus ao torneio, que iria fazer a final no ano seguinte.

A chave C teve Santos, Fluminense e ABC de Natal garantiram presença na fase seguinte do torneio. O Ferroviário do Ceará ainda esperou pela outra fase e o Confiança de Sergipe foi eliminado.

O Grupo D viu avançando Santo André, Grêmio e Náutico. O Coritiba foi para a repescagem e a Catuense deu adeus as suas chances.

O grupo E teve brigando pelas vagas Palmeiras, Flamengo, Operário de Campo Grande, Goiás e Brasília. Os representantes de São Paulo, Rio e Mato Grosso avançaram.

A chave F contou com América do Rio, Atlético Paranaense, Brasil de Pelotas, Rio Branco e Cruzeiro. O time do Espírito Santo ficou para a repescagem e o clube mineiro, que decidira o torneio nacional em duas ocasiões e que sempre estava figurando nas posições de ponta amargava uma melancólica eliminação na primeira fase.

O grupo G teve como classificados Corinthians, Internacional e Operário de Várzea Grande. O Joinville foi para a repescagem e o Anapolina deu adeus ao sonho de brigar pelo titulo.

A chave H teve como classificados Santa Cruz, Botafogo e Portuguesa, com o Auto Esporte da Paraíba indo para o jogo da repescagem e o Moto Clube sendo eliminado diretamente.

Aos 24 clubes já classificados, uniram-se Treze de Campina Grande, Coritiba, Goiás e Joinville.

Segunda Fase

Os 28 times foram divididos em sete grupos de quatro, que levariam os dois primeiros a uma terceira fase. O grupo I teve como classificados Fluminense e Goiás, a chave J viu Vasco e Grêmio seguindo adiante.

No K, Santos e Fortaleza seguiram em frente. No L, Atlético Paranaense e Santo André fizeram a festa. A chave M viu Portuguesa e Flamengo classificando. O N teve como promovidos Coritiba e América do Rio. A chave O teve como classificados Náutico e Corinthians.

Para compor os grupos da terceira fase, dois times foram incluídos. O Uberlândia, que foi campeão da Taça de Prata e o Operário de Campo Grande, que foi o melhor terceiro colocado dessa fase.

Terceira fase

Nova jornada para as 16 equipes que fariam a disputa dentro dos quatro grupos, com os dois primeiros passando para as quartas de final. Na chave P, o Fluminense continuava mostrando um bom futebol e seguiu em frente junto com a Portuguesa. No grupo Q, Vasco e Coritiba passaram adiante. No R, Flamengo e Náutico ficaram com as vagas e no S, Corinthians e Grêmio foram os melhores.

Quartas de Final

Coritiba e Fluminense empataram no Couto Pereira por 2 x 2, mas o jogo da volta no Maracanã viu um baile carioca, com uma goleada por 5 x 0, classificando o tricolor carioca para a semi final.

O segundo classificado foi o Vasco, que bateu a Portuguesa em São Paulo por 5 x 2 e confirmou a vaga com outra vitória por 4 x 3.

Náutico e Grêmio fizeram o terceiro confronto com vitória gaúcha. Na ida, no estádio dos Aflitos vitória gremista por 3 x 2. Na volta no Olímpico, novo triunfo gaúcho por 3 x 1.

O quarto e último jogo teve um tom pitoresco justamente naquele que é considerado como o “Clássico do Povo”. Corinthians e Flamengo fizeram o jogo de ida no Rio com vitória carioca por 2 x 0. A imprensa carioca dava como certa a classificação do Flamengo, mas na volta o “Timão” aplicou uma goleada por 4 x 1 e para ajudar, os cariocas ainda tiveram que ler no placar eletrônico do estádio do Morumbi os horários dos vôos para o Rio na Ponte Aérea, fato confirmado na semana seguinte pela revista Placar.

Semi Final

Grêmio e Vasco fizeram um dos jogos que indicaria os dois finalistas. Nesse confronto, O clube de São Januário levou a melhor. Na ida, em Porto Alegre, vitória gaúcha por 1 x 0,gol de Tarciso. Já a volta no Maracanã festa carioca por 3 x 0, gols de Roberto Dinamite (2) e Marquinho Carioca.

No outro jogo, o time comandado por Carlos Alberto Parreira levou a melhor frente ao Corinthians. Na ida vitória no Maracanã por 2 x 0, gols de Assis e Tato. Na volta em São Paulo, o Fluminense tomou alguns cuidados para que não acontecesse novamente a exibição da tabela de vôos para o Rio pelo placar do estádio e dentro de campo, o time fez a sua parte ao segurar o 0 x 0.

Final

Pela primeira vez, dois clubes cariocas fariam a decisão de um brasileiro, repetindo o feito de Palmeiras e São Paulo em 1973 e Guarani e o mesmo Palmeiras em 1978.

No jogo de ida, um público de 63.156 pessoas viu o tricolor das Laranjeiras abrir uma vantagem com a vitória por 1 x 0, gol de Romerito. Já o jogo da volta registraria um dos melhores públicos a acompanhar uma decisão no “maior do mundo”. 128.781 pagaram ingresso e viram o confronto entre um time que sabia a hora certa de atacar, dirigido pelo então ex-técnico da Seleção Brasileira e que foi criticado em sua primeira passagem pelo escrete canarinho e do outro uma equipe que ainda tinha em Roberto Dinamite sua maior estrela e no banco o técnico Edu Antunes Coimbra, irmão do craque Zico.

O Fluminense tinha a melhor campanha e aproveitando-se do fato de ter vencido o jogo da ida, tratou de esfriar as tentativas cruz-maltinas. Por fim, o empate premiou a melhor campanha tricolor durante a competição.

Na próxima semana traremos o Coritiba, campeão de 1985 e que foi o primeiro time fora do eixo Rio-SP-Minas-Rio Grande do Sul a faturar um título nacional.

Confira a ficha técnica do segundo jogo da final de 1984:

Data 27/05/84 Maracanã (Rio)

FLUMINENSE 0 X 0 VASCO

Juiz: Romualdo Arppi Filho (SP); Renda: Cr$ 638.160.000; Público: 128.781; Cartão Amarelo: Roberto, Romerito, Daniel González, Aldo, Mário e Jandir

FLUMINENSE: Paulo Vítor, Aldo, Duílio, Ricardo e Branco; Jandir, Delei e Assis; Romerito, Washington e Tato. Técnico: Carlos Alberto Parreira

VASCO: Roberto Costa, Edevaldo, Ivan, Daniel González e Aírton; Pires, Mário e Arthurzinho; Jussiê (Marcelo), Roberto e Marquinho. Técnico: Edu Antunes Coimbra

Classificação

1
Fluminense
2 Vasco
3 Grêmio
4 Corinthians
5 Flamengo
6 Náutico
7 Portuguesa
8 Coritiba
9 Santos
10 Santo André
11 Atlético Paranaense
12 América - RJ
13 Operário de Várzea Grande
14 Goiás
15 Fortaleza
16 Uberlândia
17 São Paulo
18 Santa Cruz
19 Atlético Mineiro
20 Palmeiras
21 Botafogo
22 Internacional
23 Brasil
24 Operário de Campo Grande
25 Joinville
26 Bahia
27 CRB
28 ABC
29 Treze de Campina Grande
30 Tuna Luso
31 Auto Esporte
32 Rio Branco
33 Cruzeiro
34 Bangu
35 Anapolina
36 Moto Clube
37 Ferroviário
38 Nacional
39 Confiança
40 Catuense
41 Brasília


 

Sandro Varela é redator do site Autoracing e torcedor do Palmeiras.

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