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1986
- A SEGUNDA FESTA DO SÃO PAULO FORA DE CASA
OU A ODISSÉIA DO TAPETÃO, PARTE I
por
Sandro Varela
Olá
amigos do Distitntivos.com.br novamente estamos chegando com
mais uma coluna sobre Campeonatos Brasileiros e desta vez
chegamos ao ano de 1986, ano que viu o Brasil sonhar com uma
vida sem inflação, quando da decretação
do Plano Cruzado, que determinou o congelamento de preços
e salários pelo prazo de um ano. Porém o sonho
de moeda estável não resistiu a uma eleição
que colocou o PMDB na maioria dos governos estaduais. Neste
mesmo ano, o mundo viu a tragédia da usina nuclear
de Chernobyl.
A televisão brasileira perdeu um de seus mais populares
apresentadores, Flávio Cavalcanti, e a Seleção
brasileira adiava por mais quatro anos o sonho do tetra ao
perder para a França nas quartas de final da Copa do
México em 21 de junho. A tristeza foi compensada no
dia seguinte quando Ayrton Senna venceu o GP dos Estados Unidos
chegando à frente de dois franceses, Jacques Laffite
e Alain Prost, que seria o campeão mundial daquele
ano.
O
futebol caseiro conheceu um dos mais emocionantes e ao mesmo
tempo confusos campeonatos de sua história. Os times
que compuseram a o torneio, pretendiam reduzir os prejuízos
que vinham tendo com campeonatos deficitários. A fórmula
inicial previa que as 44 equipes fossem divididas em quatro
grupos de 11, com jogos em turno único. Seis times
de cada chave passariam de fase e mais quatro equipes com
o melhor índice técnico, independente do grupo
também passariam de fase.
A
chave A contou com Bangu, Remo, Ceará, Sampaio Corrêa,
Coritiba, São Paulo, Fluminense, Sobradinho, Internacional,
Sport Recife e Operário de Campo Grande. Ao final dessa
fase, Operário, Sampaio Corrêa, Remo e Coritiba,
campeão vigente, foram eliminados.
No
grupo B, América do Rio, Goiás, Atlético
Paranaense, Joinville, Botafogo da Paraíba, Paysandu,
Corinthians, Ponte Preta, Flamengo, Sergipe e Grêmio,
brigaram pelas vagas. No final do turno de classificação,
Botafogo da Paraíba, Sergipe e Paysandu deram adeus
às chances de clasificar.
A
chave C reuniu estes times: Atlético Goianiense, Piauí,
Bahia, Rio Branco, Cruzeiro, Santos, Guarani, Tuna Luso Brasileira,
Náutico, Vasco e Operário de Várzea Grande.
Os eliminados deste grupo foram os times do Pará, Piauí
e Mato Grosso.
No
grupo D, Alecrim, Nacional de Manaus, Atlético Mineiro,
Palmeiras, Botafogo, Portuguesa, Comercial de Campo Grande,
Santa Cruz, CSA, Vitória e Fortaleza brigaram pelas
vagas. Os desclassificados após esta fase foram os
times do Ceará e do Rio Grande do Norte.
O
plano original previa apenas 32 times na primeira fase, só
que um dos piores personagens que pode haver no futebol, o
“Tapetão” entrou em campo. Tudo começou
quando o jogo entre Sergipe e Joinville foi anulado quando
o time de Santa Catarina solicitou os pontos desta partida
por ter ocorrido um caso de Dopping.
A medida desagradou ao Vasco, que foi ao tribunal requerer
sua inclusão na próxima fase. Uma intervenção
governamental do CND (Conselho Nacional do Desporto, então
dirigido por Manuel Tubino) acabou incluindo estes times na
próxima fase. Só que a tabela apresentaria problemas
para ser confeccionada com 33 times, para termos um número
mais fácil para confeccionar a tabela, mais três
times foram incluídos, Santa Cruz, Náutico e
Sobradinho.
Torneio
Paralelo
Para
ajudar na bagunça deste campeonato, um outro torneio,
que ocupou o lugar da “Taça de Prata”,
reuniu times que na ocasião formariam a segunda divisão.
Quatro grupos com nove times dariam ao campeão o direito
de continuar brigando pelo título e os classificados
foram o Central de Caruaru, Treze de Campina Grande, Internacional
de Limeira, campeã Paulista poucos meses antes e Criciúma.
Segunda
Fase
Os
times foram divididos em novos grupos. No grupo I, o domínio
foi quase todo paulista, com Palmeiras, São Paulo,
América do Rio e Joinville avançando de fase.
Nesta chave, um dos jogos foi marcante para a história
do Palmeiras. No dia 29 de outubro de 86, a torcida decidiu
adotar o porco como seu mascote, depois de muitos anos ouvindo
o nome do animal como ofensa, ela decidiu adotar o bicho como
um de seus mascotes, embora a diretoria do clube continue
reconhecendo o periquito como mascote oficial do clube. Além
disso, um jogo envolvendo as equipes do Parque Antártica
e do Morumbi - que tinha Muller, Silas e Careca - mostrou
que dali viria o futuro campeão brasileiro.
A
chave J teve como classificados Grêmio, Fluminense,
Flamengo e Guarani, que dentre outros talentos apresentava
para o país um centroavante com um excepcional faro
de gol. Sua passagem pelo Brinco de Ouro marcou a equipe campineira,
mas ele faria mais sucesso em São Paulo, mais precisamente
no Palmeiras anos mais tarde, seu nome: Evair Aparecido Paulino.
O
grupo K teve como promovidos o Bahia, a Portuguesa, a Internacional
de Limeira e o Cruzeiro.
E a chave L viu passar adiante Atlético Mineiro, Vasco,
Corinthians e Criciúma. O quinto colocado, o Internacional
de Porto Alegre ficou pelo caminho, mas apresentou ao país
um goleiro que se não foi muito vitorioso em clubes
marcou sua história na Seleção Brasileira,
com o título mundial de 1994, seu nome: Cláudio
André Mergen Taffarel. Ente os clubes classificados
nesta chave, o Galo apresentava Sérgio Araújo,
um ponta arisco, mas que acabou sumindo no futebol. O Corinthians
contava com Casagrande, ainda remanescente da “Democracia
Corinthiana” e o Vasco tinha um atacante que desde jovem
não queria saber de treinar, mas gol sempre foi com
ele mesmo: Romário de Souza Farias.
Como
as brigas no tribunal acabaram atrapalhando demais o andamento
do campeonato, dedicando mais tempo a cafezinhos e discussões
jurídicas do que ao que mais interessa, bola rolando,
o campeonato de 86 foi decidido apenas em 1987.
Oitavas
de final
Os
16 times fizeram os oito jogos que indicariam oito times para
as quartas de final. No primeiro confronto desta série,
Vasco e Guarani jogaram no Rio e em Campinas com vantagem
do time bugrino, que venceu as duas partidas por 3 x 0 e 2
x 0.
Flamengo e Atlético Mineiro fizeram o segundo confronto
desta fase e o “Galo” levou a melhor, na ida,
no Rio, um empate por 1 x 1 e na volta, no Mineirão,
vitória mineira por 1 x 0.
O
terceiro jogo desta fase foi um clássico paulista reunindo
a Internacional de Limeira e o São Paulo, que curiosamente
era dirigido por José Macia, o “Pepe”,
ex-ponta esquerda do lendário Santos de Pelé
e que foi campeão paulista meses antes com a equipe
limeirense. Na ida, no Estádio Major Levy Sobrinho,
vitória de 2 x 1 para a Internacional, mas na volta
no Morumbi, vitória tricolor por 3 x 0.
A quarta partida desta fase reuniu Criciúma e Fluminense.
Na ida no Heriberto Hulse, vitória catarinense por
2 x 1 e na volta no Maracanã, triunfo do time das Laranjeiras
por 1 x 0, dando a vaga ao tricolor carioca.
O
jogo cinco desta fase reuniu América do Rio e Portuguesa.
Na ida, no Rio, vitória do América por 1 x 0
e na volta no Canindé, um empate sem gols deu a vaga
ao clube carioca.
O sexto confronto desta fase envolveu Bahia e Palmeiras. Na
ida, em Salvador, vitória de 2 x 0 do tricolor da “boa
terra” e na volta, nem mesmo a vitória de 1 x
0 do time paulista tirou a vaga do time baiano.
O
sétimo jogo envolveu Joinville e Cruzeiro, que empataram
as duas partidas em Santa Catarina e em Minas por 1 x 1. Como
a melhor campanha nas fases anteriores era dói Cruzeiro,
o time alvi-celeste ficou com a vaga.
Por fim o oitavo confronto reuniu Grêmio e Corinthians.
Na ida, no Estádio Olímpico, empate por 0 x
0 e na volta no Pacaembu, novo empate por 1 x 1, classificando
o alvi-negro do Parque São Jorge.
Quartas
de final
O
arrastado, porém emocionante campeonato de 86 avançava
de fase e quatro jogos definiriam a sorte dos oito times que
vieram das oitavas. No jogo um desta fase, Bahia e Guarani
brigaram pela vaga. Na ida em Salvador, um empate por 2 x
2 gols de Sandro (2) para o Bahia e Evair (2) para o bugre.
Na volta em Campinas, o faro de gol de Evair ficou evidenciado,
com o solitário gol que deu a vaga ao Guarani.
O segundo jogo viu um clássico mineiro decidir quem
seguiria adiante na competição. Atlético
e Cruzeiro empataram na ida por 0 x 0 e na volta por 1 x 1,
gols de Douglas para o Cruzeiro e Renato “Pé-murcho”
para o “Galo”. Como o Atlético teve melhor
campanha nas fases anteriores, seguiu adiante.
O
terceiro jogo reuniu Fluminense e São Paulo. Na ida,
no Rio, vitória carioca por 1 x 0, gol de Washington
e na volta, o São Paulo deu o troco e ficou com a vaga,
vencendo por 2 x 0, gols de Careca e Muller.
O quarto e último jogo viu América do Rio e
Corinthians decidindo sua sorte. Na ida, 2 x 0 para o “diabo”
carioca, na volta nem mesmo a derrota por 2 x 1 (Jatobá
para o Corinthians anotando 2 gols e Renato marcando o decisivo
gol) evitou o avanço do time carioca para a fase seguinte.
Semi
Final
Atlético
Mineiro e Guarani buscavam uma das vagas para a final e o
Bugre levou a melhor, empatando a ida em Campinas por 0 x
0 e vencendo no Mineirão por 2 x 1, gols de Reinaldo
Xavier para o “Galo”, Marco Antonio Boiadeiro
e João Paulo para o time campineiro.
O outro jogo envolveu São Paulo e América do
Rio. Na ida, no Morumbi, 1 x 0, gol de Careca para o São
Paulo e no Rio, empate por 1 x 1, com gol de Careca para o
São Paulo e Renato para o clube carioca.
Final
Primeiro
Ato, um empate em São Paulo.
Os
dois times que tinham os principais artilheiros daquele campeonato
chegavam à decisão e fizeram o primeiro ato
desta peça no Morumbi. Careca e Evair anotaram os gols
e apimentaram ainda mais o jogo da volta, que seria no Brinco
de Ouro em Campinas.
Segundo
Ato, ou teste para cardíaco.
O
jogo em Campinas foi realizado na noite de quarta-feira, dia
25 de fevereiro de 87 e os torcedores que estavam presentes
ao campo e aqueles que viam a partida pela TV mal tiveram
tempo de respirar. Aos dois minutos de jogo, Zé Mario
recebeu a bola nas costas de Fonseca e foi até a linha
de fundo. De lá, cruzou para dentro da área
Tricolor e Nelsinho acabou marcando contra. O troco são-paulino
veio num escanteio cobrado por Pita e que foi mal interceptado
pela defesa bugrina sobrando para Bernardo mandar para o fundo
da rede do Guarani.
No segundo tempo, o time de Campinas dominava as ações
tentando cadenciar a partida, porém quem levava mais
perigo era o São Paulo, que teve uma bola na trave
chutada por Muller. O juiz José de Assis Aragão,
o mesmo da final de 1980, ainda não deu um pênalti
claro a favor do Guarani cometido por Vagner em cima de João
Paulo. O fim do tempo normal não reservou maiores emoções
à torcida.
Terceiro
Ato, ou até quando o empate persistirá?
A
prorrogação começou com gol do São
Paulo. Muller bateu a falta e Pita estufou pela segunda vez
a rede do Bugre. Só que aos nove minutos, novo empate
bugrino. João Paulo se antecipou à zaga e testou
para o gol defendido por Gilmar. Logo no começo do
segundo tempo, o mesmo João Paulo passou pela zaga
do São Paulo e mesmo recebendo uma falta de Fonseca
anotou aquele que seria o gol do segundo título nacional
do Bugre. Seria, porque havia uma outra competição
a ser desempatada, a da artilharia e Careca, o mesmo centroavante
que tinha sido campeão com o Guarani em 1978 anotou
no último minuto o terceiro gol do São Paulo.
O centroavante recebeu um lançamento de Pita e a bola
sobrou limpa para que ele marcasse o 25º gol dele no
torneio.
Quarto
e último ato, ou o “Patinho Feio” decidiu
Os
pênaltis, a famosa loteria iria decidir novamente um
campeão brasileiro. E a primeira cobrança era
do Guarani com Marco Antonio Boiadeiro, que desperdiçou,
para o São Paulo, Careca perdeu a sua primeira cobrança.
Tosin fez Bugre 1 x 0 e Dario Pereyra fez 1 x 1 Valdir Carioca
fez o 2 x 1 para o time de Campinas e Fonseca fez o segundo
do tricolor, Evair anotou o terceiro do time campineiro e
Rômulo mantinha a igualdade.
Até então ninguém poderia imaginar o
que aconteceria no quinto e último penal de cada time.
João Paulo, que tinha desempatado para 2 x 1 no tempo
normal e que poderia ter levado o Guarani ao titulo desperdiçou
sua cobrança. A chance de resolver a questão
e levar a taça para o Morumbi estava nos pés
de Wagner Basílio. Um zagueiro que se não primava
pela técnica, as vezes decidia como aconteceu naquela
última cobrança, vencendo Sérgio Néri
e dando ao tricolor o seu segundo título nacional.
Na
próxima semana iremos falar da confusão que
se estabeleceu em 1987, quando para muitas pessoas o campeão
foi o Flamengo, mas para outras, o legitimo campeão
daquele ano foi o Sport Recife.
Confira
a ficha técnica do segundo jogo da final de 1986
Data
e Local: 25/02/87 Brinco de Ouro (Campinas)
GUARANI
3 X 3 SÃO PAULO
Juiz:
José de Assis Aragão (SP); Renda: Cz$ 4.222.000;
Público: 37.370; Gols: Nelsinho (contra) 2 e Ricardo
Rocha (contra) 9 do 1º; Prorrogação: Pita
1 e Marco Antônio Boiadeiro 7 do 1º; João
Paulo 5 e Careca 14 do 2º; Cartões Amarelos: Ricardo
Rocha e Valdir Carioca; Expulsão: Vágner (Guarani)
GUARANI:
Sérgio Néri, Marco Antônio, Ricardo, Valdir
Carioca e Zé Mário; Tite (Vágner), Tosin
e Marco Antônio Boiadeiro; Catatau (Chiquinho Carioca),
Evair e João Paulo. Técnico: Carlos Gainete
SÃO
PAULO: Gilmar, Fonseca, Wágner, Darío Pereyra
e Nelsinho; Bernardo, Silas (Manu) e Pita; Müller, Careca
e Sídnei (Rômulo). Técnico: Pepe
OBS:
Nos Pênaltis 4 x 3. Para o São Paulo marcaram
Dario Pereyra, Fonseca, Rômulo e Wagner Basílio
(Careca desperdiçou). Para o Guarani marcaram Tosin,
Valdir Carioca e Evair, com Boiadeiro e João Paulo
desperdiçando suas cobranças.
Confira
a classificação final de 1986
1
São Paulo
2
Guarani
3
Atlético Mineiro
4
América do Rio
5
Bahia
6
Fluminense
7
Corinthians
8
Cruzeiro
9
Palmeiras
10
Portuguesa
11
Flamengo
12
Joinville
13
Vasco
14
Grêmio
15
Criciúma
16
Internacional de Limeira
17
Internacional
18
Atlético Paranaense
19
Santos
20
Rio Branco
21
Bangu
22
Ponte Preta
23
Goiás
24
Ceará
25
CSA
26
Santa Cruz
27
Sport Recife
28
Atlético Goianiense
29
Vitória
30
Náutico
31
Botafogo
32
Nacional
33
Comercial de Campo Grande
34
Sobradinho
35
Treze
36
Central
37
Sergipe
38
Operário de Várzea Grande
39
Botafogo da Paraíba
40
Fortaleza
41
Sampaio Correa
42
Remo
43
Tuna Luso
44
Coritiba
45
Alecrim
46
Paysandu
47
Piauí
48
Operário de Campo Grande

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