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1988 - A TURMA TRICOLOR CRUZA O BRASIL FAZENDO O SEU CARNAVAL
por
Sandro Varela
Olá
amigos do Distintivos.com.br estamos chegando com uma nova
coluna sobre campeonatos brasileiros e desta vez destacamos
o ano de 1988. No Brasil foi o ano que uma nova Constituição
surgiu, São Paulo elegia uma mulher pela primeira vez
como mandatária da cidade, Luíza Erundina. O
maior sucesso na televisão à época era
a novela “Vale Tudo” e por falar em TV, um gênio
da comunicação saia de cena, Abelardo Barbosa,
o Chacrinha. Na F1, Ayrton Senna faturava seu primeiro título
mundial e as Olimpíadas voltam a ter Estados Unidos
e União Soviética brigando entre si, porém
nem tudo foi flores em Seul, já que Ben Johnson, o
então recordista mundial dos 100m rasos foi flagrado
em dopping.
É
proibido empatar!
O
nosso futebol doméstico se recuperava de um ano conturbado
como fora 1987 e partia para um novo sistema de disputa do
título nacional. 24 clubes divididos em duas chaves
de 12. Além da instituição em definitivo
da lei do acesso e descenso, tivemos novidades na pontuação
dada aos clubes. Só a derrota não dava ponto
algum. A vitória dava ao vencedor 3 pontos –
quando a FIFA ainda não tinha determinado a aplicação
desta forma de pontuação em todo o mundo. A
regra só valia na Liga Inglesa. O empate era algo impensável,
e obrigava aos empatantes a disputa de pênaltis, dando
dois pontos ao vencedor e um ao derrotado.
Para
a fase mais aguda do campeonato, dois clubes seriam classificados
ao final de cada fase.
Os grupos eram formados por estas equipes: A – Fluminense,
Internacional, Portuguesa, Atlético-MG, Flamengo, São
Paulo, Sport Recife, Vitória, Goiás, Atlético
Paranaense, Palmeiras e Bangu. B - Vasco da Gama, Grêmio,
Bahia, Guarani, Coritiba, Santa Cruz, Santos, Botafogo, Cruzeiro,
Corinthians, Criciúma e América do Rio.
Logo
na primeira rodada nada mais que seis partidas acabaram empatadas
e foram para os pênaltis, porém uma delas, Botafogo
x Fluminense foi jogada dias mais tarde já que os dois
times saíram de campo sem a referida disputa. Quando
a decisão por pênaltis aconteceu, a torcida do
Botafogo, inconformada com o longo jejum de títulos
destilava sua ira sobre os ídolos de plantão
e o homenageado foi Cláudio Adalberto Adão,
ou simplesmente Cláudio Adão, que teve uma faixa
nada gentil a seu respeito.
Ao fim da primeira fase, Fluminense e Internacional no A,
Vasco e Grêmio no B garantiram passagem de fase para
as quartas de final.
O
centroavante em seu dia de goleiro
No
começo do segundo turno, um jogo no Maracanã
chamou a atenção de todos os fãs do futebol.
Flamengo e Palmeiras jogavam e o placar era favorável
ao time paulista, com um gol marcado pelo ponta esquerda Mauro
até que numa disputa de bola com Bebeto, o goleiro
palmeirense Zetti acabou fraturando a perna. Como o técnico
Enio Andrade já tinha feito as duas substituições
permitidas pelo regulamento, só restou como alternativa
mandar um jogador de linha para o gol. O jogador que se ofereceu
para esta missão era o centroavante Luiz Carlos Tóffoli,
ou como era conhecido, Gaúcho. Gaúcho era um
atacante com bom faro de gol e que sabia se colocar bem dentro
da área, mas que entraria naquela noite para a história
do Palmeiras e do futebol brasileiro por outro motivo. No
seu primeiro lance, Gaúcho não se colocou bem
na área e acabou levando o gol de empate feito por
Bebeto. O empate levou a partida para os pênaltis e
para alegria dos palmeirenses, o goleiro Gaúcho não
decepcionou, pegando as cobranças de Aldair e Zinho,
quando ele teve a chance de bater o seu penal, Gaúcho
não decepcionou e o Palmeiras venceu por 5 x 4.
Quais
times estão jogando???
No
dia 4 de dezembro, o então invicto Vasco veio a São
Paulo enfrentar o Corinthians. Os dois times entraram no gramado
do Pacaembu e um detalhe pitoresco chamou a atenção
de todos. Os dois times entraram em campo com seus uniformes
número um. Nem mesmo o calção preto do
Corinthians ajudava a distinguir quem era quem, já
que as camisas dos dois clubes eram brancas.
Como o Vasco não trouxe uniforme reserva e não
havia tempo hábil para esperar que fossem buscar o
uniforme reserva da equipe paulista no Parque São Jorge,
o jeito foi iniciar a partida com as roupas que estavam vestindo.
No segundo tempo, o Corinthians vestiu o seu uniforme reserva
e a partida acabou num 0 x 0, que levou aos pênaltis
e o clube carioca venceu por 4 x 3.
Na
última rodada, mais quatro clubes garantiram vaga para
as quartas de final. Sport Recife e Flamengo no A, Bahia e
Cruzeiro no B se classificaram. No rebaixamento, Bangu, Santa
Cruz, América do Rio e Criciúma acabaram se
despedindo da primeira divisão dando lugar a Internacional
de Limeira e Náutico. Num primeiro momento a promovida
seria a Ponte Preta de Campinas, só que o Náutico
alegou que a CBF havia interpretado o regulamento de forma
errada e deu ganho de causa ao clube de Recife.
Quartas-de-final
O
campeão de 1988 seria conhecido no começo de
1989. Não era piada, mas como faltaram datas em 1988
e as férias dos jogadores deveriam ser respeitadas,
a competição invadiu o novo ano. Quatro jogos
movimentaram o país. Para estas partidas até
a final, o critério de definição seria
o seguinte: saldo de gols nos dois jogos e em caso de empate,
uma prorrogação de 30 minutos. Caso a igualdade
persistisse, os times de melhor campanha seguiriam em frente.
No
primeiro jogo, Grêmio e Flamengo jogavam sua sorte.
Na ida no Olímpico, um empate por 0 x 0 deixava o quadro
ainda mais indefinido, mas nem mesmo o fator campo jogou a
favor do Flamengo, uma vez que perdeu na volta por 1 x 0 para
o Grêmio, gol de Cuca.
O tricolor gaúcho faria uma semi final doméstica
contra o Internacional, que superou o Cruzeiro. Na ida, 0
x 0 no Mineirão e vitória colorada na volta,
no Beira-Rio por 2 x 0, gols de Mauricio e Nenê.
Os
outros dois jogos envolveram dois rivais figadais no Nordeste.
Sport Recife e Bahia empataram na ida na Ilha do Retiro por
1 x 1, gols de Nando para os pernambucanos e Charles para
os baianos. Na volta, dois empates por 0 x 0 deram a vaga
ao Bahia, que pegaria o Fluminense, que surpreendentemente
parou o invicto Vasco. Na ida no Maracanã, vitória
do tricolor por 1 x 0, gol contra de Zé do Carmo. Na
volta, uma vitória emocionante do “Bacalhau”
por 2 x 1, gols de Donizeti para o Flu e Bismarck e Leonardo
para o Vasco. Mais 30 minutos de prorrogação
com domínio do Flu. Zé Maria e Washington levaram
o Fluminense para a semi final.
Oxente!
O Nordeste está presente!
Um
dos jogos da semi-final envolveu Fluminense e Bahia. Na ida,
0 x 0 em pleno Maracanã deixando toda a emoção
para a volta na Fonte Nova em Salvador, que recebeu neste
jogo o maior público de sua história. A torcida
baiana foi recompensada em sua dedicação, com
uma vitória por 2 x 1, gols de Bobô e Gil para
o Bahia, com Washington descontando para o Flu.
O
Gre-Nal do Século
Grêmio
e Internacional nunca fazem um mero jogo quando se encontram,
seja no Gauchão, seja no Brasileiro e se esse jogo
valer vaga para a final a partida se torna questão
de honra.
De um lado, o tricolor tinha um time bem armado sob a batuta
de Rubens Minelli. Do outro, o Colorado tinha uma equipe consistente
em seu conjunto, começando pelo gol com a segurança
de Taffarel. O equilíbrio ficou evidente no jogo de
ida no Olímpico por 0 x 0. Para a volta, o Inter poderia
manter um incômodo jejum, de não vencer seu eterno
rival há 12 jogos com dois empates que ainda assim
iria para a final. Porém a tarde de 12 de fevereiro
terminou feliz para a torcida colorada.
O
jogo começou com as duas equipes se estudando e para
apimentar ainda mais o clássico, Casemiro, lateral-esquerdo
do Inter foi expulso por falta violenta em Jorge Veras. Para
dar tons mais emocionantes à partida, Marcus Vinicius
abriu o placar para o Grêmio. O relógio durante
boa parte do segundo tempo foi azul, até que uma falta
foi marcada perto da área a favor do Inter. Edu Lima
ergueu na área e Nilson Esídio, centroavante
revelado pelo XV de Jaú no Paulistão cabeceou
para o fundo da meta defendida por Mazarópi empatando
a partida. O Gigante da Beira-Rio quase veio abaixo com o
gol, que levaria à prorrogação. Entretanto,
a equipe vermelha queria mais e numa bola tomada de Airton,
Mauricio rolou para a área encontrando Nilson, que
fuzilou pela segunda vez para a rede gremista. Depois disso
o relógio assumiu cores vermelhas decretando a vitória
colorada depois de 12 partidas sem saber o que era vencer
o rival.
Final
Sul
e Nordeste, Internacional e Bahia jogariam pela glória
de ser campeão brasileiro de 1988. Na ida em Salvador,
2 x 1 para o time da casa comandado por Evaristo de Macedo,
que havia sido defenestrado do comando da seleção
Brasileira alguns anos antes, gols de Bobô (2), com
Leomir descontando para os gaúchos.
Na volta, até os guias espirituais foram escalados
para dar forças a Inter e Bahia. Quando a delegação
baiana chegou ao Beira-Rio, um despacho estava preparado para
minar os jogadores baianos. Contudo, o Bahia contava com a
força de Pai Lourinho, torcedor fanático da
equipe baiana e que também era “Pai de Santo”.
Dentro de campo, por mais que o Inter atacasse, a bola não
ultrapassava o goleiro Ronaldo. Durante 90 minutos o bombardeio
colorado se revelou ineficaz frente a retaguarda baiana.
O apito final de Dulcidio Wanderley Boschilia decretou a festa
baiana, que só se concretizaria dias depois em Salvador,
já que tanto Inter quanto Bahia voltavam a campo no
mesmo Beira-Rio dois dias depois da final para jogar pela
Taça Libertadores da América.
Confira
a ficha técnica do segundo jogo da final de 1988.
Data
e Local: 19/2/89 Beira Rio (Porto Alegre)
INTERNACIONAL
0 X 0 BAHIA
Juiz:
Dulcídio Wanderley Boschillia (SP); Renda: NCz$ 57.304,00;
P: 79.598; Cartão Amarelo: João Marcelo, Gil,
Norberto e Edu
INTERNACIONAL:
Taffarel, Luís Carlos Winck, Aguirregaray, Norton e
Casemiro; Norberto, Luís Carlos Martins e Luís
Fernando; Maurício (Hêider), Nílson e
Edu (Diego Aguirre). Técnico: Abel Braga
BAHIA:
Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Claudir (Newmar)
e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e
Bobô (Osmar); Gil, Charles e Marquinhos. Técnico:
Evaristo de Macedo
Confira
a classificação final de 1988
1
Bahia
2
Internacional - RS
3
Fluminense
4
Grêmio
5
Vasco
6
Flamengo
7
Sport Recife
8
Cruzeiro
9
Portuguesa
10
Atlético Mineiro
11
São Paulo
12
Coritiba
13
Goiás
14
Guarani
15
Corinthians
16
Palmeiras
17
Santos
18
Botafogo
19
Atlético Paranaense
20
Vitória
21
Bangu
22
Santa Cruz
23
Criciúma
24
América do Rio

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