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1989 - QUEM DISSE QUE UM TIME DE ESTRELAS NÃO PODE
SER CAMPEÃO?
por
Sandro Varela
Olá
amigos do Distintivos.com.br estamos voltando com uma nova
coluna sobre Campeonatos Brasileiros e nossa viagem avança
mais um ano na linha do tempo, chegando a 1989, ano que começou
com um naufrágio no Rio de Janeiro, matando várias
pessoas que estavam à bordo do barco “Bateau
Mouche”. Nesse mesmo ano, George Bush, o pai assumiu
a presidência dos Estados Unidos no lugar de Ronald
Regan. Uma frustrada tentativa de afirmação
de Adilson “Maguila” Rodrigues aconteceu em julho
e no final do ano, o “Muro de Berlim caiu. Neste ano
também, o brasileiro recuperou o direito de votar para
presidente.
Já
o nosso futebol domestico vinha com novidades. Ricardo Teixeira
assumia a presidência da CBF no lugar de Otávio
Pinto Guimarães, Sebastião Lazaroni, um técnico
limitado chegou ao comando da Seleção Brasileira
e Eurico Miranda assumiu a diretoria de Seleções
da entidade. Teixeira continua no comando da CBF, mas tanto
Lazaroni quanto Miranda não duraram muito tempo nos
dois cargos. Já o Nacional contava com 22 clubes novamente
divididos em dois grupos, mas com novo formato na definição
da fase seguinte.
O
grupo A contou com Corinthians, Botafogo, Atlético
Mineiro, Náutico, Internacional de Limeira, Flamengo,
São Paulo, Internacional de Porto Alegre, Guarani,
Atlético Paranaense e Vitória.
A Chave B teve Palmeiras, Vasco, Portuguesa, Grêmio,
Goiás, Fluminense, Cruzeiro, Santos, Sport, Bahia e
Coritiba.
Todos
os clubes jogaram a primeira fase dentro dos grupos e os três
piores classificados de cada chave iriam para um torneio paralelo
que recebeu um nome bastante desagradável, como um
castigo... O Torneio da Morte. Na chave A, a disputa foi relativamente
tranqüila, com Guarani, Atlético Paranaense e
Vitória sendo relegados ao torneio em questão.
No grupo B, dois fatos chamaram a atenção
O
coice
No
dia 27 de setembro, Palmeiras e Grêmio jogaram no Morumbi
e dentro do campo, a partida terminou com o placar de 2 x
0 para o time paulista, com gols de Trasante (contra) e Ditinho
Souza. Porém esse jogo acabou passando para a história
dos jogos entre as duas equipes por um motivo nada esportivo.
Durante a partida, Mirandinha estava disputando a bola com
o meio-campista gaúcho Darci. Contudo, o jogador gremista
não conseguia se desvencilhar do atacante palmeirense
e desferiu um coice que provocou estragos na face do cearense.
Darci foi não apenas expulso, mas levado ao distrito
policial para prestar esclarecimentos. A ordem para isso partiu
do então secretário de segurança pública
e futuro governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury
Filho.
Não
vai jogar? Tá rebaixado!
Na
rodada final da primeira fase, a CBF recebeu o pedido da prefeitura
de Juiz de Fora para receber um jogo do Nacional e a entidade
determinou que Coritiba e Santos fizessem o jogo programado
na cidade mineira. Acontece que o clube paranaense se recusou
a comparecer para esta partida alegando que o jogo deveria
ser realizado onde estava previamente agendado, no estádio
Couto Pereira. No dia 22 de outubro, o Santos entrou em campo
e nada do Coritiba comparecer. O time da Vila Belmiro ganhou
o jogo por WO e a desobediência do clube paranaense
foi “premiada” com uma suspensão de um
ano de competições nacionais e o rebaixamento
para a segunda divisão.
Torneio
da Morte e Segunda divisão
Sem
o Coritiba, já rebaixado, os cinco times eliminados
na primeira fase brigavam pelas duas vagas que manteriam os
times que as conquistassem na primeira divisão. O então
campeão brasileiro, o Bahia e Vitória da Bahia
se saíram melhor e ficaram com as vagas. Da segundona
vieram Bragantino, dirigido por um então desconhecido
técnico chamado Vanderlei Luxemburgo e o São
José, de São José dos Campos.
Segunda
fase
A
tabela foi dirigida de um modo tal que o primeiro de cada
chave pegasse o oitavo colocado da outra na primeira rodada
e assim sucessivamente até a rodada final onde os primeiros
colocados se enfrentariam o campeão de cada grupo ganhava
a vaga para a final.
São Paulo que era dirigido por Carlos Alberto Silva
e que tinha Bobô destaque do Bahia no ano anterior,
Botafogo, então campeão estadual do Rio e que
saiu da fila depois de 21 anos e Corinthians no A e Palmeiras,
dirigido por Emerson Leão, Vasco, recheado com várias
estrelas, mas que não conseguia ter um conjunto muito
forte e Cruzeiro no B eram os times que mais se destacavam
nesta briga.
Obrigado
Zico!
Dia
2 de dezembro de 1989, essa data ficará marcada na
memória da torcida flamenguista. Nesse dia, Arthur
Antunes Coimbra, o melhor Zico, fez seu último jogo
oficial com a camisa do Flamengo. A partida aconteceu na cidade
de Juiz de Fora (aquela que deveria ter recebido Coritiba
e Santos) e foi uma exibição de gala do “Galinho
de Quintino”, 5 x 0 com direito a gol de falta na “gaveta”
do goleiro tricolor Ricardo Pinto.
Rodada
final
Pelo
menos três jogos prenderam a atenção do
Brasil na última rodada da fase classificatória.
Palmeiras x Corinthians no Morumbi, Portuguesa x São
Paulo no Canindé e Internacional x Vasco no Beira-Rio.
No jogo do Morumbi, o sonho palmeirense de voltar a fazer
uma final de campeonato nacional morreu no 1 x 0 para o Timão,
gol de Cláudio Adão. A vaga para a final do
grupo B ficou com o Vasco, que bateu o Inter por 2 x 0 com
dois gols de Bebeto. Já a vaga no grupo A ficou com
o São Paulo, que bateu a Lusa por 1 x 0, gol de Edivaldo.
Os
finalistas
De
um lado, o São Paulo, que tinha sido apenas o sétimo
no final do primeiro turno, acabou se valendo de um time bem
montado por Carlos Alberto Silva. Os destaques eram o bom
goleiro Gilmar, o seguro Ricardo Rocha, os meio-campistas
Bobô e Raí e o polêmico Mário Tilico,
contratado a peso de ouro. Já o Vasco contava com uma
autêntica seleção. Acácio era o
goleiro. As laterais eram bem servidas com Luiz Carlos Winck
e Mazinho. O meio-campo era bem guarnecido com Zé do
Carmo, Andrade e Marco Antonio Boiadeiro e o ataque contava
com Bebeto e Sorato. A decisão deveria ser feita em
dois jogos, só que o Vasco, como detentor da melhor
campanha poderia escolher o local da primeira partida, além
disso, se vencesse, faturaria o título diretamente.
Final
Os
vascaínos decidiram fazer o primeiro (e que poderia
ser único jogo) no Morumbi, em São Paulo A partida
aconteceu num sábado, 16 de dezembro e fora do campo,
o destaque foi o apoio das torcidas de Vasco e São
Paulo aos candidatos à presidência da Republica
e que fariam o segundo turno no dia seguinte. Boa parte dos
sãopaulinos estavam com Fernando Collor, já
boa parte dos vascaínos ficou com Lula. Isso eu falo
porque eu estava neste jogo. Eu era apenas um moleque de 14
anos, mas esta foi a primeira vez que fui a campo ver uma
final de brasileirão.
Explico,
neste ano, eu era menor prestador de serviço em um
grande banco brasileiro e tinha um colega de trabalho que
apesar de paulistano, era vascaíno fanático.
No começo daquele campeonato torcia o nariz quando
ele falava do Vasco, mas pelo fato de ele ser um colega legal
acabei simpatizando com o time da cruz-de-malta.
O
jogo, bem... No primeiro tempo, só deu São Paulo.
O tricolor do Morumbi procurou o gol com muito mais disposição,
mas a defesa do Vasco estava num dia bastante inspirado. O
primeiro tempo acabou 0 x 0. No começo do segundo tempo,
aos 5 minutos, Luiz Carlos Winck cruzou a bola para a área
e ela encontrou Sorato desmarcado testou para o fundo da rede
do São Paulo. A partir de então, o Vasco sofreu
um verdadeiro bombardeio do ataque do São Paulo, entre
estes lances, houve um pênalti reclamado pela equipe
paulista, mas que não foi dado pelo juiz Wilson Carlos
dos Santos.
Enfim...
o time repleto de jogadores renomados conseguiu mostrar para
o país que mesmo a desunião e a falta de conjunto
conseguiam fazer esta equipe chegar ao título, já
que no banco tinha um técnico, Nelsinho Rosa, que sabia
domar as feras. Desde Acácio, o goleiro, até
Bebeto, o time cruz-maltino nunca primou por um conjunto estável,
mas Nelsinho soube administrar os conflitos de egos em São
Januário.
Na
próxima coluna traremos o primeiro título brasileiro
do Corinthians, conquistado por um time limitado, mas que
marcou a história da equipe de Parque São Jorge.
Confira
a ficha técnica da final de 1989
Data
e Local: 16/12/89 Morumbi (São Paulo)
SÃO
PAULO 0 X 1 VASCO
Juiz:
Wilson Carlos dos Santos (RJ); Renda: NCz$ 2.394.435,00; P:
71.552; Gol: Sorato 5 do 2º; Cartão Amarelo: Luís
Carlos Winck, Acácio e Zé do Carmo
SÃO
PAULO: Gilmar, Netinho, Adílson, Ricardo e Nelsinho;
Flávio, Bobô e Raí; Mário Tilico,
Nei e Edivaldo (Paulo César). Técnico: Carlos
Alberto Silva
VASCO:
Acácio, Luís Carlos Winck, Quiñónez,
Marco Aurélio e Mazinho; Zé do Carmo, Marco
Antônio Boiadeiro e Bismarck; Sorato, Bebeto e William.
Técnico: Nelsinho Rosa
Confira
a classificação final de 1989
1 Vasco
2 São Paulo
3 Cruzeiro
4 Botafogo
5 Palmeiras
6 Corinthians
7 Portuguesa
8 Atlético Mineiro
9 Flamengo
10 Goiás
11 Grêmio
12 Santos
13 Náutico
14 Internacional de Limeira
15 Fluminense
16 Internacional
17 Vitória
18 Bahia
19 Atlético Paranaense
20 Guarani
21 Sport Recife
22 Coritiba

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