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1991 - A TERCEIRA FESTA DO SÃO PAULO FORA DE CASA ou ABRINDO AS PORTAS DO MUNDO

por Sandro Varela

Olá amigos do site Distintivos.com.br, estamos chegando com uma nova coluna falando sobre campeonatos nacionais e avançamos mais um ano na linha do tempo, chegando no ano de 1991, ano em que Ayrton Senna faturou seu terceiro e último título na F1. Fernando Collor continuava mostrando a que não veio na presidência do Brasil. No mundo, Freddie Mercury saía de cena, vítima da Aids, mesma doença que atingiu Earwin “Magic” Johnson, que até hoje não desenvolveu um sintoma sequer. A União Soviética sofreu uma tentativa de golpe, mas foi salva por Boris Ieltsin em agosto e o país deixou de existir em 25 de dezembro.

Já o nosso futebol doméstico viu um Falcão ser abatido depois do vice na Copa América no Chile, para o seu lugar por um jogo, tivemos o obscuro Ernesto Paulo e depois veio a dupla que mais títulos conquistou para nossa Seleção, Carlos Alberto Parreira e Mario Jorge Lobo Zagallo, que assumiram como técnico e coordenador.

O campeonato nacional depois de muito tempo, retornou para o começo do ano e antes de sua abertura oficial, tivemos um torneio de jogo único e que nunca mais foi disputado, a “Super Copa do Brasil”, reunindo o campeão brasileiro de 90, o Corinthians e o campeão da Copa do Brasil, o Flamengo. O time paulista faturou aquela que seria sua única taça no ano, já que seu ano foi cheio de altos e baixos, principalmente na disputa da Taça Libertadores da América.

Bom, neste ano a CBF decidiu que o Brasileirão seria disputado em turno único e os quatro primeiros colocados fariam as semi finais. Ao final da fase de classificação teríamos uma surpresa e tanto... mas aguardemos o desenrolar desta coluna.

Começo do Campeonato

Como não houve divisão por grupos, como era praxe nos anos anteriores, cada jogo adquiriu um gosto de decisão para todos os envolvidos. Claro que na primeira rodada teve muito time que imaginava que ficaria bem na foto com sua torcida, como o Grêmio, que venceu o Goiás no Estádio Olímpico. Outros como o Fluminense tiveram uma boa largada, vencendo no Rio o Palmeiras por 4 x 2, mas um time em particular queria muito ser campeão nacional. Era o São Paulo, que vinha de dois vices e precisava resgatar sua senda vitoriosa. O tricolor paulista largou muito bem, ao golear o Atlético Mineiro por 3 x 0 no Mineirão. O Corinthians apenas empatou diante de sua torcida contra o Vitória da Bahia por 1 x 1.

Na segunda rodada, alguns dos favoritos começaram a tombar como o Grêmio, que levou uma sapatada de 4 x 2 em Curitiba contra o Atlético Paranaense. O carnaval provocou uma interrupção forçada na competição e alguns times tentavam se acertar para o restante da competição.

Fora Dudu!!!

O Palmeiras contava com Dudu como seu técnico desde a metade do brasileiro do ano anterior e em 91 não vinha conseguindo ter uma campanha primorosa e no dia 16 de março, quando da realização da oitava rodada, pegaria seu mais tradicional rival, o Corinthians. A torcida e a imprensa diziam que este era um jogo que não deveria ser perdido, pois o time de Parque São Jorge estava às voltas com a Libertadores e estava bastante cansado. Porém o empate por 0 x 0 custou o cargo de Dudu. Dias depois, Paulo César Carpegiani foi contratado e como resultado imediato, o gaúcho levou o Palmeiras à liderança do campeonato na rodada seguinte.

Judiaria...

O sugestivo nome de uma das músicas de Lupicinio Rodrigues, autor do hino do Grêmio era o retrato da campanha do tricolor em meio ao campeonato de 1991. A base de 1990 foi mantida e o técnico era Evaristo de Macedo, campeão dois anos antes com o Bahia. O time azul de Porto Alegre patinava feio na tabela de classificação e a esperança de melhora era uma constante nas declarações de jogadores, técnico e do presidente Rafael Bandeira de Melo. Contudo, o sinal mais evidente do perigo que rondava o time surgiu no dia 1º de maio, quando o Grêmio veio a São Paulo pegar o Corinthians. O time do Parque São Jorge, que seria eliminado da Libertadores pouco depois, bateu de virada o time do Sul do país por 2 x 1.

O tribunal entra em campo

Um personagem que se tornaria conhecido da torcida brasileira apareceu com força nesta altura do nacional. O tapetão. O tribunal foi acionado depois que a partida entre Fluminense e Botafogo foi interrompida quando estava 0 x 0 por invasão de campo por parte da torcida botafoguense. Os pontos e a vitória por 1 x 0 ficaram com o Fluminense.

Palmeiras em queda, São Paulo em alta

O então líder do campeonato tropeçava em seu nervosismo e perdia pontos importantes na continuidade da competição. Já o time de Telê Santana vinha crescendo com uma base forte, contando principalmente com Raí, Zetti, Antonio Carlos, Ricardo Rocha e Cafu na sua espinha dorsal. Nem mesmo uma derrota por 1 x 0 para o Internacional na última rodada em Porto Alegre tirou o ânimo sãopaulino. Já o time do Parque Antártica acabou naufragando com uma derrota para o Cruzeiro por 2 x 0 em pleno Mineirão.

Meu mundo caiu

O Grêmio ao longo da competição tinha somado três vitórias, contra Goiás, Sport Recife e Vasco e uma vitória contra o Botafogo no Rio aliado a uma possível derrota do time de Pernambuco contra o Flamengo na Ilha do Retiro poderia manter o tricolor gaúcho na primeira divisão, só que tudo deu errado para o Grêmio. O time não fez sua parte e perdeu do “Glorioso” por 3 x 1 e o Leão do Nordeste bateu o “Mengo” por 2 x 1 e se manteve na primeira. O Grêmio conhecia pela primeira vez a dor de ser rebaixado e estar fora do grupo de elite em 1992. O resultado do catastrófico campeonato provocou uma verdadeira caça as bruxas no estádio Olímpico e o prejuízo foi ainda maior para o time gaúcho, já que ele perdeu a Copa do Brasil para o Criciúma, dirigido por Luiz Felipe Scolari e ainda perderia no fim do ano a hegemonia gaúcha no “ruralito”, como os gaúchos chamam seu estadual, para o Internacional. Da segundona para a primeira subiram Paysandu e Guarani de Campinas.

Semifinais

São Paulo e Atlético Mineiro de um lado, Bragantino e Fluminense do outro, decidiriam quem seriam os finalistas do campeonato. O tricolor paulista e o alvinegro de Bragança Paulista chegavam a fase decisiva do campeonato com um ponto de bonificação pela melhor campanha no certame e caso vencessem o jogo de ida, fariam a volta se tornar um mero amistoso.

No confronto entre paulistas e mineiros o São Paulo levou a melhor, empatando no Morumbi por 1 x 1 e segurando um conveniente 0 x 0 em Belo Horizonte. Já o Bragantino, então dirigido por Carlos Alberto Parreira calou o Maracanã ao bater o Flu por 1 x 0.

Final

De um lado Telê Santana e do outro Parreira, um belo duelo tático e dois times muito bem armados. Esses eram os ingredientes da primeira decisiva do brasileiro de 91 e o tricolor mostrava ter mais fome de bola que o “Braga”. Dois ataques do São Paulo levaram um pouco de perigo ao gol defendido por Marcelo, mas depois o time de Bragança equilibrou as ações. Porém aos quatro minutos do segundo tempo, aconteceu o lance que decidiu o Brasileirão de 91. Cafu cruzou para Bernardo, que cabeceou na trave. Na seqüência, Müller furou, mas Mário Tilico estava na sobra e marcou.

A volta foi em Bragança, num estádio que jamais deveria ter recebido uma final de campeonato dada a precariedade de suas instalações, mas o time fez valer o direito de receber o jogo decisivo em seus domínios, já que teve melhor campanha que o São Paulo, depois dos resultados das semifinais.

Telê Santana tinha fama de teimoso, de não abrir mão de suas convicções por nada, mas uma atitude tomada antes daquele jogo selou a vitória do São Paulo, quando ele colocou José Teodoro Bonfim Queiroz, ou Zé Teodoro na lateral e passou Cafu para o meio para segurar o time de Bragança. O time local ainda conseguiu dominar as ações na primeira etapa, mas era um domínio estéril. No segundo tempo, o São Paulo continuou a explorar os contra-ataques e ainda mandou bolas na trave do time de Bragança. O 0 x 0 final deu o título nacional ao São Paulo e abriu o caminho para que o tricolor do Morumbi conquistasse a América duas vezes e o mundo também duas vezes, batendo Newell’s Old Boys, Universidad Católica do Chile, Barcelona e Milan.

Na próxima coluna falaremos do Flamengo, que triunfou em 1992 e que contou em campo com um maestro, Leovegildo Lins da Gama Júnior.

Confira a ficha técnica do segundo jogo da final de 1991.

Data e Local: 09/06/91 Estádio Marcelo Stéfani (Bragança Paulista)

BRAGANTINO 0 X 0 SÃO PAULO

Juiz: José Roberto Wright (SP); Renda: Cr$ 64.650.000,00; Público: 12.492; Cartão Amarelo: Zé Teodoro, Ricardo Rocha, Biro-Biro e João Santos

BRAGANTINO: Marcelo, Gil Baiano, Júnior, Nei e Biro-Biro; Mauro Silva, Ivair (Luís Müller), Alberto e João Santos (Franklin); Sílvio e Mazinho. Técnico: Carlos Alberto Parreira

SÃO PAULO: Zetti, Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ricardo Rocha e Leonardo; Ronaldo, Bernardo, Cafu e Raí; Macedo e Müller (Flávio). Técnico: Telê Santana

Confira a classificação final de 1991

1 São Paulo

2 Bragantino
3 Atlético Mineiro
4 Fluminense
5 Palmeiras
6 Internacional
7 Corinthians
8 Santos
9 Flamengo
10 Portuguesa
11 Vasco
12 Botafogo
13 Bahia
14 Náutico
15 Goiás
16 Cruzeiro
17 Atlético Paranaense
18 Sport Recife
19 Grêmio
20 Vitória da Bahia

 



Sandro Varela é redator do site Autoracing e torcedor do Palmeiras.

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