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1997 - VASCO DA GAMA FAZ A FESTA MAIS UMA VEZ

por Sandro Varela

Olá amigos do Distintivos.com.br estamos chegando com um novo texto sobre os campeonatos brasileiros e agora chegamos ao ano de 1997. Ano que viu o surgimento de um tenista desconhecido vindo do qualificatório conquistar o torneio de Roland Garros, seu nome, Gustavo Kuerten. Também vimos o falecimento de Lady Di, e uma atitude tresloucada de um ex-campeão mundial de Boxe. Mike Tyson simplesmente soltou seu lado canibal e mordeu a orelha de Evander Holyfield.

Para a Seleção, foi um ano de conquistas como a Copa América e a Copa das Confederações. Também se intensificava a preparação de várias seleções para a Copa do Mundo no ano seguinte que seria disputada na França.

Já o encrencado futebol doméstico iria ver Fluminense e Bragantino na segunda divisão. Iria, uma vez que um escândalo envolvendo o ex-diretor da comissão nacional de arbitragem, Ivens Mendes, provocou o cancelamento do rebaixamento do ano anterior nas divisões do brasileiro. O então dirigente da CONAF estava tentando arrecadar dinheiro junto a presidente de clubes, e o quase perpetuo presidente do Corinthians, Alberto Dualibi prometeu auxiliar o mineiro com “Um-zero-zero”. Outro presidente envolvido, Mário Celso Petraglia, do Atlético Paranaense chegou a ser suspenso por um ano, mas logo a suspensão foi derrubada. Porém o time entrou na competição com cinco pontos a menos e que seriam debitados do total que o time conseguisse na fase classificatória.

Forma de disputa

Todos os 26 times jogariam um turno único, quando seriam conhecidos os oito primeiros colocados que disputariam dois quadrangulares que indicariam o melhor time de cada chave. A final seria disputada em dois jogos

Champagne no gelo...

O fato é que o cancelamento do rebaixamento foi comemorado pelo presidente do Fluminense com champagne e a imagem foi veiculada para todo o país pela televisão. O clube, um dos mais vitoriosos da história do futebol carioca acabou pagando um amargo preço por esta atitude...

Ão. Ão. Ão. Segunda Divisão!!!!!

O grito que muitas torcidas no Brasil já ouviram um dia e que é quase uma condenação para medíocres campanhas acabou sendo o hit das paradas de sucesso nos jogos do Fluminense e Bragantino, os times que caíram em 96 no campo e que com a “virada de mesa” se mantiveram na primeira divisão em 97. A primeira torcida a saudar o tricolor carioca com este coro foi a torcida do Palmeiras, no jogo que marcou a estréia de Luiz Felipe Scolari no comando do time do Parque Antártica. A equipe de Felipão marcou 4 x 1 no Flu, já o Bragantino ouviu o infame coro apenas na rodada seguinte, quando jogou fora de Bragança Paulista contra o São Paulo. Na estréia, pegou o Bahia em casa e venceu por 3 x 1.

O jogo dos rebaixados

A terceira rodada viu a única partida que Fluminense e Bragantino não ouviram a irritante, para eles, musiquinha. O Bragantino venceu o Flu por 3 x 1.

Os destaques

Nas primeiras rodadas ficava claro quem dominaria a fase de classificação. Vasco e Internacional sobravam na turma. O Vasco tinha Antonio Lopes como técnico e dentro de campo contava com Carlos Germano, Mauro Galvão, Edmundo e Evair. Os dois, que formaram o ataque do Palmeiras em 1993 e 94 estavam novamente juntos num mesmo clube e sem brigas. Já o Inter vinha da conquista do título gaúcho e tinha como destaques o goleiro André, então jovem revelação da equipe e que para muitos deveria ter ido à Copa da França, em 1998 e Christian, centroavante matador que foi o artilheiro colorado em 97. Por falar em artilharia colorada.

O Gre-nal do “Cinco Muito”

O dia 24 de agosto de 1997 é inesquecível para colorados e cala fundo nos gremistas. O clássico foi disputado no Estádio Olímpico e acabou servindo como a afirmação da equipe colorada naquele nacional. O jogo começou quente com Christian fazendo 1 x 0 aos 4 minutos de jogo e o Inter ainda ampliou com Sandoval aos 32. Na segunda etapa, a raiva da torcida gremista ficou ainda maior, já que Fabiano, o “Homem Gre-nal” marcou mais dois gols, aos 16 e aos 23 da segunda etapa. 4 x 0 dentro do Olímpico era muito para a torcida gremista que exigia cabeças, desde a direção até o roupeiro se brincasse. Sérgio Manoel ainda conseguiu marcar um gol para tentar aplacar a ira tricolor aos 28. Porém aos 38, Marcelo ampliou a festa do Inter marcando o quinto gol. Gilmar fez o segundo gol gremista, mas aí o estrago já estava feito.

A noite da quebra de um recorde histórico

O pobre time do União São João jamais imaginaria que sua ida ao estádio de São Januário seria histórica. No dia 11 de setembro, o time de Araras levou um 6 x 0, com seis gols de Edmundo. O placar contribuiu para afundar ainda mais o União São João.

Os Trapalhões vestem a camisa do Corinthians

A zona do rebaixamento esteve bem freqüentada em 1997 e um dos destaques foi a presença por várias rodadas do Corinthians nesta tenebrosa região da tabela. A situação corinthiana ganhava matizes dramáticas ao ponto de jogar contra o Botafogo no Estádio da Rua Bariri, e perder do time da estrela solitária por 2 x 0, ou mesmo perder do Santos por 1 x 0 na Vila Belmiro e sofrer uma emboscada da sua própria torcida na Via Anchieta. O time paulista se safou da segundona com duas vitórias, sobre o Flamengo no Morumbi por 1 x 0 e sobre o Goiás no Serra Dourada por 2 x 0.

Rebaixamento e segundona

O Grêmio acabou fechando o caixão do Fluminense ao bater o time carioca por 2 x 0 em pleno Rio de Janeiro. O trágico destino também sucedeu a União São João, Bahia e Criciúma. Dentre todos os rebaixados o que acabou virando motivo maior de chacota foi o Fluminense, que acabou deixando o ano de 97 com o inglório título de bi-rebaixado, e desta vez sem virada de mesa. Para o lugar dos quatro rebaixados subiram o América Mineiro e a Ponte Preta.

Quadrangulares

As duas chaves foram formadas no sistema olímpico, na chave A, Vasco, Flamengo, Portuguesa e Juventude. A chave B tinha Internacional, Atlético Mineiro, Santos e Palmeiras. No grupo A, O Vasco sobrou na turma e ficou com a vaga, deixando os outros times comendo poeira.

Já o grupo B foi regido pelo signo da confusão. Logo no começo dessa fase, Christian apareceu na TV dizendo que ia estraçalhar com os adversários do Inter, que tem como mascotes alguns animais, como o peixe (Santos), galo (Atlético Mineiro) e porco (Palmeiras). Porém o time do saci acabou ficando pelo caminho. As arbitragens ajudaram a colocar mais tempero nos jogos desta chave, como o chilique dado por Wanderley Luxemburgo, então técnico do Santos com o juiz Cláudio Vinicius Cerdeira, no jogo contra o Inter no Morumbi desandou a xingar o árbitro carioca mesmo quando seu time vencia o colorado. A vaga ficou com o Palmeiras, que sobreviveu a todas estas tempestades.

A final mais sem graça de todos os tempos.

De um lado o melhor ataque e do outro a melhor defesa. Assim, Vasco e Palmeiras chegavam a final do brasileiro de 1997, com a vantagem dos dois empates pertencendo ao time carioca. No primeiro jogo em São Paulo, prevaleceu o 0 x 0, com uma dose de polêmica. Primeiro, Felipão acabou devolvendo uma bola para um jogador do Vasco, só que Maricá acabou fazendo uma certa cena e cavou a expulsão do técnico palmeirense. Antonio Pereira da Silva ainda mandou para o chuveiro o atacante Edmundo, que deu um leve coice o seu ex-companheiro de time Cléber.

Durante a semana, os advogados dos dois times recorreram das expulsões e conseguiram colocar Felipão e Edmundo em campo. No caso do atleta vascaíno, uma simples multa de R$ 120,00 foi o suficiente para colocá-lo em campo no jogo do dia 21 de dezembro.

Na volta, no Maracanã, os 90 mil torcedores viram um time atacar muito, o Palmeiras e outro se defender ainda mais, o Vasco. Por mais que o ataque palmeirense tentasse, esbarrava na muralha chamada Carlos Germano. Por fim, o apito de Sidrack Marinho dos Santos decretou o terceiro título nacional do Vasco e carimbou o passaporte para que o time cruz-maltino conquistasse a Libertadores da América no ano seguinte.

Na próxima coluna falaremos do Corinthians, campeão brasileiro de 1998 e que reuniu feras, humildade e um técnico de seleção.

Confira a ficha técnica do segundo jogo da final de 1997

Data e local: 21/12/97 Maracanã (Rio)

VASCO 0 X 0 PALMEIRAS

Juiz: Sidrack Marinho dos Santos (SE); Renda: R$ 1.300.000,00; Púlico: 89.200; Cartão Amarelo: Zinho, Carlos Germano e Edmundo

VASCO: Carlos Germano, Válber, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Luisinho, Nasa, Juninho Pernambucano (Pedrinho) e Ramón; Edmundo e Evair (Nélson). Técnico: Antônio Lopes

PALMEIRAS: Velloso, Pimentel, Roque Júnior, Cléber e Júnior; Galeano (Marquinhos), Rogério, Alex (Oséas) e Zinho; Euller e Viola (Chris). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Confira a classificação final de 1997.

1 Vasco

2 Palmeiras

3 Internacional

4 Atlético Mineiro

5 Flamengo

6 Portuguesa

7 Santos

8 Juventude

9 Vitória da Bahia

10 Botafogo

11 Sport Recife

12 São Paulo

13 Paraná

14 Grêmio

15 Coritiba

16 América de Natal

17 Corinthians

18 Atlético Paranaense

19 Goiás

20 Cruzeiro

21 Guarani

22 Bragantino

23 Bahia

24 Criciúma

25 Fluminense

26 União São João




 



Sandro Varela é redator do site Autoracing e torcedor do Palmeiras.

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