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1998 - CORINTHIANO, MALOQUEIRO, SOFREDOR E CAMPEÃO, PARTE II

por Sandro Varela

Olá amigos do Distintivos.com.br estamos chegando com um novo texto sobre os campeonatos brasileiros e avançando mais um ano na linha do tempo chegamos a 1998. Ano que o “Maníaco do Parque” assustou São Paulo. No mesmo ano Fernando Henrique Cardoso conseguia seu segundo mandato como presidente da República e Mário Covas vencia sua última eleição e abria combate contra o câncer, aquela que seria a sua última batalha.

A Seleção Brasileira fez uma campanha bastante criticada em campos franceses. O escrete canarinho começou a Copa vencendo apertado a Escócia, depois passou bem pelo Marrocos e perdeu de forma merecida para a Noruega. Nas quartas de final uma boa vitória contra o Chile e um pouco de sofrimento contra a Dinamarca. Nossa melhor partida foi contra a Holanda nas semi finais, para chegarmos na final e, numa série de infortúnios, deixar escapar o quinto título contra a França perdendo por 3 x 0.

Já o futebol doméstico partia para um nacional novamente com turno único de classificação e que definiria oito classificados. Porém as fases seguintes seriam disputadas em um novo sistema, o play-off. Dois ou até três jogos decidiriam os classificados.

Clássicos de entrada

No começo do certame, a CBF colocou alguns clássicos para chamar a torcida. O Gre-nal acabou com vitória colorada por 1 x 0 no Beira-Rio e o Palmeiras bateu o São Paulo no Pacaembu por 2 x 1. Cruzeiro e Atlético Mineiro empataram no Mineirão por 1 x 1 e o Atle-tiba terminou empatado por 1 x 1.

A surra que valeu o convite da Seleção

O Corinthians foi ao Mineirão pegar o Atlético Mineiro e bateu o Galo por 5 x 1. A vitória acabou levando o presidente da CBF a convidar Vanderlei Luxemburgo para o cargo de técnico da Seleção Brasileira no lugar de Mário Jorge Lobo Zagallo. O convite foi aceito, mas pelo restante do campeonato, o treinador acumulou os cargos de técnico do Corinthians e da Seleção.

Perder de 7 dói...

Na décima terceira rodada, Portuguesa e São Paulo se enfrentaram no Pacaembu e o tricolor, que na ocasião era dirigido por Nelsinho Batista foi destroçado pela Lusa pelo placar de 7 x 2, o que acabou custando o cargo do treinador que meses antes conquistara o paulistão com o São Paulo.

Meu Nome é Oséas!!!!!

Como o Brasil iria às urnas no dia 4 de outubro, um domingo, a CBF antecipou a rodada para o sábado e o jogo que mais chamou a atenção foi o derby paulistano, com vitória do Palmeiras por 3 x 1 com destacada atuação de Oséas. O mais engraçado que meses antes, o atacante palmeirense fez um golaço... para o time do Parque São Jorge em jogo válido pelo paulistão.

O poder do “pofessor”

Calma amigo leitor, eu fiz o trocadilho de propósito mesmo para mostrar que na rodada 21, quase que Luxemburgo põe tudo a perder por causa de suas manias e exigências. A vítima da vez foi Marcelinho Carioca, que discutiu com o técnico antes do jogo contra o São Paulo e além de ficar fora da partida com o tricolor do Morumbi começou a treinar em separado, até voltar ao time perto das semi finais.

Última rodada, rebaixados e Série B

Para muitos times a rodada final da fase de classificação foi encarada como partidas de vida ou morte e alguns times saíram machucados dessas batalhas. O Corinthians venceu o América de Natal por 2 x 1 e decretou o rebaixamento do time potiguar. Já o Palmeiras, que entrou em campo classificado, arrancou um empate que calou fundo na torcida do Coelho. O Verdão empatou com um gol de Oséas no final do jogo e decretou o rebaixamento do América Mineiro para a Série B. Os outros dois times que seguiram o mesmo caminho foram o Bragantino e o Goiás. Da B para a série A subiram Gama e Botafogo de Ribeirão Preto e o Fluminense seguia seu calvário, o fundo do poço não chegava nunca para o clube carioca, que fez uma campanha pífia na série B e despencou para a terceira divisão.

Quartas de final

Corinthians x Grêmio, Santos x Sport Recife de um lado, Palmeiras x Cruzeiro, Portuguesa x Coritiba do outro brigariam para saber quem ergueria a taça ao final da competição. No confronto entre paulistas e gaúchos, o Corinthians levou a melhor. No primeiro jogo, Rincón marcou 1 x 0 dentro do Estádio Olímpico e deixou o Timão numa condição de poder vencer em São Paulo e matar a necessidade do terceiro jogo, só que o tricolor gaúcho venceu no Pacaembu por 2 x 0 (Itaqui e Clóvis) e forçou a terceira partida que acabou com vitória corinthiana por 1 x 0, gol de Edílson.

O Santos garantiu sua vaga depois de perder na Ilha do Retiro por 3 x 1 (Robson, Wallace e Lima para o Sport, com Argel descontando para o Santos). No segundo jogo, na Vila Belmiro, o Santos venceu por 2 x 1 (Eduardo Marques e Robson Luis para o Santos, com Robson descontando para os pernambucanos). No terceiro e decisivo jogo, o Santos bateu o Sport por 3 x 0 (Alessandro e dois de Viola, que seria o artilheiro da competição)

A Portuguesa bateu o Coritiba na soma dos 270 minutos. No primeiro jogo, vitória rubro-verde por 3 x 1 (Leandro, Alexandre e Fabrício, com Macedo descontando para o Coxa-branca. No segundo jogo em Curitiba, o placar ficou imóvel, não saindo do zero e na terceira partida, a Lusa arrancou um empate por 2 x 2 (João Santos e Gelson Baresi para os paranaenses com César e Ailton descontando para os paulistas). O mais eletrizante duelo desta fase foi Palmeiras e Cruzeiro. No primeiro jogo, no Mineirão, O Cruzeiro venceu por 2 x 1 (Fabio Junior e Marcelo, com Oséas descontando para o Verdão). No segundo jogo, o time de Luiz Felipe Scolari devolveu o placar, 2 x 1 (Paulo Nunes e Junior Baiano, com Djair descontando para os mineiros). Porém, o verdão perdeu Junior Baiano depois que ele deslocou o cotovelo após uma queda. No terceiro e último jogo, O Cruzeiro de Levir Culpi conseguiu a vaga em São Paulo, atenuando um pouco a perda da Copa do Brasil meses antes para o mesmo Palmeiras por 3 x 2 (Almir e Paulo Nunes para o Palmeiras, com Marcelo Ramos por duas vezes e Fabio Junior marcando para os mineiros).

Semi finais

Três paulistas e um mineiro poderiam ser campeões brasileiros de 1998. De um lado, Corinthians e Santos, do outro Portuguesa e Cruzeiro buscariam o título. No confronto entre paulistas e mineiros, o Cruzeiro conseguiu o direito de voltar a decidir um campeonato nacional pela primeira vez depois de 23 anos. No primeiro jogo, deu Cruzeiro, 3 x 1 (Marcelo Ramos, Fabio Junior e Alex Alves para os mineiros, com Leandro descontando para a Lusa). No segundo jogo, A Portuguesa venceu por 2 x 1 (Alexandre por duas vezes com Marcelo marcando o único gol mineiro). No terceiro e decisivo jogo, a Lusa acabou decepcionando sua torcida, perdendo do Cruzeiro por 1 x 0, gol de Djair.

Já a briga entre Corinthians e Santos também precisou de três jogos para ser decidida. Na primeira partida, o time da Vila Belmiro venceu em casa por 2 x 1 (Robson Luiz e Viola para o Santos com Gamarra anotando para o time da capital paulista). O segundo jogo O Santos perdeu o jogo e a cabeça, depois que Narciso fez uma falta dura em Marcelinho Carioca. No placar, 2 x 0 para o Corinthians (Marcelinho e Edílson). No terceiro e último jogo Um empate serviu para colocar o Timão na final, 1 x 1 (Edílson para o Corinthians e Viola para o Santos).

Final

1º ato, como perder a melhor chance de ser campeão

Corinthians e Cruzeiro chegaram à final e a primeira batalha foi no Mineirão. O jogo acabou 2 x 2, mas a torcida do time mineiro saiu do Mineirão com a sensação de derrota. Para os mineiros, Muller e Valdo anotaram os tentos, já para os paulistas Dinei e Marcelinho Carioca. Dinei acabaria se tornando um jogador vital nas partidas finais daquele brasileirão.

2º ato, mais um empate?!?!, Que coisa...

O segundo jogo aconteceu no Morumbi e o resultado foi um novo empate. A torcida Corinthiana sabia que iria ter mais um jogo, mas queria chegar na última partida com a vantagem de uma vitória, o que não aconteceu. Marcelinho marcou para o Timão e Marcelo Ramos descontou para o Cruzeiro.

3º ato, vamos chamar Papai Noel para apitar esse jogo

Graças a maluquice do calendário do futebol brasileiro, a partida final de 1998 aconteceu no dia 23 de dezembro, quase na hora de cortar o peru de Natal e para ajudar, o jogo aconteceu no período da tarde, justamente quando o trânsito na cidade de São Paulo estava uma loucura, pois a maioria das pessoas estava preocupada com as compras finais dos presentes de Natal. Com o trocadilho à parte no título, Carlos Eugênio Simon comandou a partida.

4º e último ato, a redenção de Dinei

O único remanescente da campanha vitoriosa de 1990 foi o fator de desequilíbrio desta partida. Alexandre Claudinei dos Santos, que dois anos antes fora pego em Dopping por cocaína conseguiu dar uma bela volta por cima e levou o Corinthians à vitória. O jogo começou equilibrado, mas com domínio maior do Timão. Para a definir a conquista, Luxemburgo sacou Mirandinha (o homem que ou corria ou pensava, nunca fazendo as duas coisas juntas) e colocou Dinei. Na segunda etapa, o atacante corinthiano, aos 25 do segundo tempo, lançou Edílson que só teve o trabalho de deslocar a bola de Dida e mandar para o fundo da rede cruzeirense. O gol que deu números finais ao jogo veio aos 35 do segundo tempo, quando Dinei entrou pela direita do ataque corinthiano e lançou na cabeça de Marcelinho Carioca, marcando o segundo e último gol da tarde e do campeonato. O time de Levir Culpi, que já tinha perdido a Copa do Brasil em junho para o Palmeiras, perdia o brasileiro para o Corinthians e dias depois, mais exatamente em 29 de dezembro, quase estourando o champagne de ano novo, perdendo a Copa Mercosul para o Palmeiras. Certamente este foi um ano que a torcida cruzeirense não quer nunca se lembrar dele.

Na próxima coluna, falaremos de novo do Corinthians, que faturou seu terceiro título e de novo em cima de um time mineiro, o Atlético.

Confira a ficha técnica do terceiro jogo da final de 1998

Data e Local: 23/12/98 Morumbi (São Paulo)

Corinthians 2 X 0 Cruzeiro

Juiz: Carlos Eugênio Simon (RS); Público: 57.230; Gols: Edílson 25 e Marcelinho 35 do 2º; Cartão Amarelo: Batata, Rincón e Gustavo

CORINTHIANS: Nei, Índio, Batata (Cris), Gamarra e Silvinho; Ricardinho (Amaral), Rincón, Vampeta e Marcelinho; Edílson e Mirandinha (Dinei). Técnico: Wanderley Luxemburgo

CRUZEIRO: Dida, Gustavo (Alex Alves), Marcelo Djian, João Carlos e Gilberto; Valdir (Marcelo Ramos), Ricardinho (Caio), Djair e Valdo; Müller e Fábio Júnior. Técnico: Levir Culpi

Classificação

1 Corinthians

2 Cruzeiro

3 Santos

4 Portuguesa

5 Palmeiras

6 Coritiba

7 Sport Recife

8 Grêmio

9 Atlético Mineiro

10 Vasco

11 Flamengo

12 Internacional

13 Vitória da Bahia

14 Botafogo

15 São Paulo

16 Atlético Paranaense

17 Ponte Preta

18 Juventude

19 Guarani

20 Paraná

21 América Mineiro

22 Goiás

23 Bragantino

24 América de Natal




 



Sandro Varela é redator do site Autoracing e torcedor do Palmeiras.

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