Selecione inicial da EQUIPE: A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z
Selecione inicial do PAÍS: A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z
 


1999 - CORINTHIANO, MALOQUEIRO, SOFREDOR E CAMPEÃO, PARTE III

por Sandro Varela

Olá amigos do distintivos.com.br estamos chegando com um novo texto sobre campeonatos brasileiros e desta vez falaremos do ano de 1999, ano em que o Brasil chegou a estar perto de uma bancarrota, ano em que o Dólar subiu de forma assustadora, e a cidade de São Paulo sofria com as peripécias desastradas de seu então prefeito Celso Pitta e sua base de apoio na Câmara Municipal.

A seleção viveu um ano relativamente vitorioso, ao levar a melhor na Copa América e vencer alguns amistosos contra seleções de bom nível como a Holanda. A única preocupação do então técnico do escrete canarinho era a Olimpíada do ano seguinte em Sydney, na Austrália.

O futebol domestico tinha pelo segundo ano seguido o sistema de “Play-off” para definir os times que avançariam de fase rumo as finais do brasileirão que tinha novidades. A primeira é que depois de muitos anos, o campeão e o vice garantiriam vaga na Libertadores. Como a competição sul-americana foi inchada para o ano 2000, o Brasil, além de deter o atual campeão, no caso o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari e “São” Marcos e do Juventude, campeão da Copa do Brasil, mais três vagas se abririam para o ano seguinte. A quinta e última vaga ficaria com o vencedor de uma seletiva entre os clubes eliminados das quartas de final ao final do turno de classificação. O rebaixamento seria definido com a média de pontuação dos anos de 1998 e 1999.

O campeonato começou, mas logo teríamos uma conturbação sem tamanho em se tratando daquele brasileiro.

É hora do pulo do Gato, ou Zveiter, me dá esses pontos!!!!!

Na terceira rodada da competição, o São Paulo recebeu o Botafogo em casa e aplicou uma surra de 6 x 1 no time da estrela solitária e que não estava tendo muito o que comemorar naquele ano, pois perdera a final da Copa do Brasil para o Juventude. Foi descoberto que um atleta do São Paulo, o atacante Sandro Hiroshi teria adulterado a sua certidão de nascimento em um ano para poder jogar futebol. O caso foi levado ao STJD, que deu ganho de causa ao Botafogo, fazendo com que a goleada se tornasse uma vitória simples de 1 x 0, gol anotado pelo irmão do ex-presidente do STJD Sérgio Zveiter, já que o então presidente Luiz Zveiter estava afastado do cargo por motivos particulares. O caso foi descoberto mais tarde e mais um time se beneficiou dos pontos ganhos pelo tricolor paulista, o Internacional de Porto Alegre, já que Hiroshi também atuou contra o colorado gaúcho.

O dia que o Corinthians conheceu Pena

Em 12 de setembro, Palmeiras e Corinthians se enfrentaram no Morumbi e mal o jogo começou, o Timão conheceu um atacante que faria um de seus primeiros jogos com a camisa do Verdão, Pena. O atacante se movimentou muito bem e acabou abastecendo o ataque para as conclusões de Paulo Nunes, César Sampaio Paulo Nunes e Alex, Detalhe, os quatro gols palmeirenses saíram num espaço de 32 minutos. Já o Corinthians só descontou aos 24 do segundo tempo com Luizão.

Eurico Miranda o “Deus” de São Januário...

Não é que num jogo sem maiores complicações, um jogo até normal entre Vasco e Paraná Clube, o magnânimo dirigente e Deputado Federal na época Eurico Miranda acabou invadindo o campo para “conversar” com juiz da partida. O Diálogo tomou rumos diferentes e acabou encerrando a partida em 1 x 1, resultado posteriormente mantido no tribunal.

Jogando longe de casa

O Corinthians teve o mando de duas partidas retirado. O Timão não podia atuar no estado de São Paulo e em conseqüência disso, o Maracanã, no Rio de Janeiro recebeu as partidas contra o Internacional de Porto Alegre e o Atlético Mineiro. Contra o Colorado, vitória por 4 x 2 no Maracanã, já contra o Galo, derrota por 4 x 0.

Última rodada da fase de classificação

O rebaixamento e a zona de classificação estavam em polvorosa no meio do mês de novembro, pelo menos dois times tradicionais localizados em cidades bem distantes uma das outra, estavam mais que ligados nas emoções da noite de 10 de novembro, e apensa dependiam de suas forças para ficar na primeira divisão, no caso do Internacional de Porto Alegre, ou classificar, no caso do Atlético Mineiro.

Dona Olga agradece o presente, ou o amargo aniversário

No Beira-Rio, o Inter decidia a sua permanência na primeira divisão contra o Palmeiras e a história de Luiz Felipe Scolari, técnico do time paulista, sempre foi muito ligada ao Grêmio, o maior rival do Inter. Porém, nem mesmo dentro de casa Felipão tinha uma completa unidade, pois o coração de D. Olga, mulher do técnico, sempre foi colorado. Outro detalhe que apimentou o jogo foi que no dia seguinte, Scolari apagaria as velas de seu bolo de aniversário. Porém, a torcida colorada nem estava pensando nisso e sim na vitória que afastaria os cálculos malucos da vida do Inter. O jogo foi doído, arrastado, com a torcida colorada de olho no campo e nos radinhos de pilha para saber os resultados dos outros jogos pelo país a fora. A alegria surgiu com força no Beira-Rio quando Celso ergueu a bola dentro da área e Dunga surgiu livre na defesa palmeirense testando para o fundo do gol de Marcos, decretando o 1 x 0 que salvou o Inter. O jogo ainda se arrastou um pouco mais, pois várias bolas surgiram dentro do campo e a luz dos refletores caiu, voltando minutos depois.

Tô classificado? Viva!!!!!

Já em Belo Horizonte, a torcida do Atlético Mineiro estava tranqüila com seu time, pois ele não corria risco algum de rebaixamento, mas ainda assim tinha uma chance de classificar para os play-offs. Para isso, dependia de outros resultados e de uma vitória sobre o Grêmio. Tudo naquela noite ajudou o Galo, já que o Santos empatou com o Cruzeiro, o Palmeiras perdeu do Internacional e nem mesmo uma vitória do Atlético Paranaense frente ao Sport Recife o ajudou, além disso, o alvinegro de BH bateu o tricolor gaúcho por 2 x 0 e conseguiu uma vaga para os Play-offs, os rebaixados devido as médias dos dois campeonatos (98 e 99), foram Botafogo de Ribeirão Preto, Juventude, Paraná Clube e Gama. O Gama, porém iniciou uma guerra que teria muitas conseqüências no ano seguinte.

Segunda e Terceira Divisão

Não estou louco não, mas aproveito o espaço só para recordar que o declínio do Fluminense chegou ao fim e seu ressurgimento foi no mesmo ano de 1999, quando o tricolor carioca, contando com Carlos Alberto Parreira no banco de reservas, levou o Flu ao título da Série C. Já na série B, Goiás e Santa Cruz conquistaram o direito de jogar a primeira divisão em 2000.

Seletiva para a Libertadores

Todos os clubes eliminados, menos os rebaixados e o Palmeiras, por ser o atual campeão, foram para um torneio seletivo, que manteria os clubes em atividade até o fim do ano. Porém este não era um mero torneio caça-niqueis, e sim algo bem valioso, pois daria ao campeão uma vaga na Taça Libertadores da América em 2000. O sistema adotado foi o mata-mata e durante a competição, quem fosse eliminado do play-off entrava na disputa. A decisão envolveu o Cruzeiro e o Atlético Paranaense. No jogo de ida, o Furacão marcou 3 x 0 em casa e partiu para Belo Horizonte com um placar folgado na bagagem, podendo até perder por dois gols de diferença para ir ao torneio sul-americano em 2000 e nem mesmo a derrota por 2 x 1 diminuiu a festa da torcida rubro-negra de Curitiba, que pela primeira vez chegava à Libertadores.

Play-offs

Os dias 14, 21 e 24 de novembro foram bem quentes com as disputas das quartas de final do Play-off. Na primeira rodada, os times pior colocados na tabela receberam os melhores em suas casas. Em Campinas, um 0 x 0 entre Guarani e Corinthians. No Mineirão, o primeiro clássico entre Galo e Raposa acabou com vitória do Atlético por 4 x 2. Um verdadeiro furacão de gols assolou o estádio Manoel Barradas, em Salvador, com a vitória do Vitória, comandado por um técnico novato, quase desconhecido chamado Toninho Cerezo por 5 x 4. Já o São Paulo bateu a Ponte Preta por 3 x 2.

A segunda rodada contou com os mesmos jogos, mas na ordem inversa. O Corinthians bateu o Bugre Campineiro por 2 x 0, o Vasco apenas empatou em São Januário por 2 x 2 com o Vitória e a Ponte Preta bateu o São Paulo por 2 x 1

Fora Levir!!!!!

Já o jogo entre Atlético e Cruzeiro merece um destaque especial, pois além de ser o maior clássico de Minas Gerais, definiria um classificado e o Cruzeiro não estava disposto a perder a chance de devolver a derrota da rodada anterior, até porque uma nova derrota significaria a desclassificação do time alviceleste. O time cruzeirense que acumulava uma série de decepções agregou mais uma ao currículo e desta vez foi contra seu maior rival, o Atlético, ao perder de 3 x 2 no Mineirão. O resultado significou a queda do então técnico da Raposa, Levir Culpi.

A terceira rodada, que definiu os demais classificados e dois empates com gols fizeram a alegria de Corinthians e Vitória. O São Paulo suou a camisa em Campinas e ainda assim bateu a Ponte Preta por 3 x 2 conseguindo sua vaga.

Semifinal

Um clássico Paulista e um jogo entre baianos e mineiros, isso que as semifinais do Brasileiro de 1999 reservavam à torcida. Em São Paulo, no Morumbi, o tricolor perdeu para o Corinthians por 3 x 2. Já no Mineirão, o Galo bateu o Vitória por 3 x 0. Na segunda rodada, o Vitória recebeu o Atlético Mineiro no Barradão e bateu o time mineiro por 2 x 1, já no Morumbi...

ErRaí!!!!!!!! ErRaí!!!!!!!!

O infame trocadilho feito pela torcida corinthiana se deveu ao fato de Raí, o maior ídolo da história do São Paulo perder dois pênaltis para Dida em pleno Morumbi no empate por 2 x 2, que decretou a classificação e a vaga para a Libertadores de 2000 para o Corinthians.

19 anos depois...

Dias depois em Salvador, um jogo histórico deu a segunda vaga da Libertadores de 2000 para o Atlético Mineiro. O time comandado por Humberto Ramos, um dos destaques do escrete campeão brasileiro de 1971 conseguiu bater o time de Toninho Cerezo por 3 x 0 e levar o Galo de volta ao torneio sul-americano, coisa que não acontecia desde 1981, quando o Atlético tinha sido vice no ano anterior perdendo para o Flamengo na decisão.

Finais

1º jogo – Guilherme 3 x 2 Corinthians

O primeiro confronto da decisão entre Atlético Mineiro e Corinthians aconteceu no Mineirão, e o principal destaque daquela partida foi o centroavante Guilherme, que estufou três vezes a rede corinthiana, com Luizão e Vampeta descontando para o time paulista. O jogo teve arbitragem paulista de Oscar Roberto Godói

2º jogo – Márcio Rezende de Freitas volta a atacar

Pois é... ele, o único juiz a ter uma medalha olímpica de ouro, uma Libertadores, uma Copa do Brasil, caminhava para seu segundo titulo nacional. O jogo estava 1 x 0 para o Corinthians, quando o lateral direito Índio, estava sentado dentro da área e empurrou a bola para fora dela. Pênalti claríssimo, que foi “esquecido” pelo juiz... Luizão anotou duas vezes para o Timão e deixou a equipe paulista numa situação confortável para a última partida.

3º jogo

1º ato – Uma das poucas coisas boas de Celso Pitta...

A TV Globo queria repetir a experiência do ano anterior e passar a final do Brasileiro à tarde. Porém, imagine uma cidade como São Paulo às vésperas do Natal com todos indo ás compras. Além disso, caso o Corinthians conquistasse o título, a festa seria na Avenida Paulista, o que praticamente paralisaria a cidade. O então prefeito de São Paulo, Celso Pitta, numa de suas raras boas atitudes em prol da cidade, barrou as pretensões globais e determinou que o jogo fosse à noite.

2º e último ato - Chove Chuva...

O jogo começou com a arbitragem de Carlos Eugenio Simon debaixo de um temporal, e mesmo assim, o Galo deu trabalho, buscando mais o ataque, mesmo assim, o Corinthians dava seus sustos, apesar de estar desfalcado de Luizão, expulso na segunda partida da final. Porém o placar seguia inalterado e para ajudar, o Atlético ficou com dez em campo, uma vez que Belleti foi expulso por uma entrada faltosa. O jogo terminou 0 x 0 e era apenas isso que o Corinthians precisava para faturar seu terceiro título nacional. O feito foi bem comemorado pelos jogadores no campo, pois eles não puderam exagerar nas festas, uma vez que dias depois voltariam a campo para disputar o mundial de clubes da FIFA

Na próxima coluna falaremos do Vasco, campeão da Copa João Havelange, o torneio mais vergonhoso de todos os tempos.

Confira a ficha técnica do terceiro jogo da final de 1999

Data e Local: 22/12/99 Morumbi (São Paulo)

CORINTHIANS 0 X 0 ATLÉTICO-MG

Juiz: Carlos Eugênio Simon (RS); Cartão Amarelo: Gilmar, Rincón, Marcelinho, Edílson, Galván, Caçapa e Gallo; Expulsão: Belletti

CORINTHIANS: Dida, Índio, João Carlos, Márcio Costa e Kléber; Gilmar (Edu), Vampeta (Marcos Senna), Rincón e Ricardinho; Marcelinho (Dinei) e Edílson. Técnico: Oswaldo de Oliveira

ATLÉTICO-MG: Velloso, Bruno, Galván, Caçapa e Ronildo; Gallo, Valdir (Mancini), Belletti e Robert (Adriano); Lincoln (Hernani) e Guilherme. Técnico: Humberto Ramos

Confira a classificação final do Brasileiro de 1999:

1 Corinthians

2 Atlético Mineiro

3 Vitória

4 São Paulo

5 Cruzeiro

8 Guarani

9 Atlético Paranaense

10 Palmeiras

11 Santos

12 Flamengo

13 Coritiba

14 Botafogo

15 Gama (r)

16 Internacional

17 Paraná (r)

18 Grêmio

19 Juventude (r)

20 Botafogo de Ribeirão Preto (r)

21 Portuguesa

22 Sport Recife

(r) = rebaixados devido a média dos pontos de 98 e 99.

Sandro Varela é redator do site Autoracing e torcedor do Palmeiras.

Leia as colunas anteriores

Veja o site AUTORACING