FUTEBOL DE ONTEM
TODAS AS COPAS DO MUNDO
1930 - CELESTE OLÍMPICA E DO MUNDO
por
Sandro Varela
Olá
amigos do Distintivos.com.br . Estamos de volta, mas desta
vez com uma nova série de textos, tratando de uma paixão
que a cada quatro anos hipnotiza o planeta Terra, a
Copa do Mundo. Antes de falar do torneio e do que
envolveu a história de sua criação, vamos
situar o amigo leitor no ano em questão.
Neste
ano, o Brasil viu a tentativa de eleição do
presidente da República. Julio Prestes seria aclamado,
mas sucessivos acontecimentos, entre eles a morte do então
presidente da Paraíba, João Pessoa culminaram
com o golpe perpretado por Getulio Dornelles Vargas, que governaria
o Brasil a ferro e fogo até 1945. Já o mundo
ainda se ressentia do “Crash” da Bolsa de Nova
York. O evento acabaria por atingir uma das maiores commodities
do Brasil à época, o café.
O
nascimento da Copa do Mundo
A
FIFA foi criada em 1904, porém o esporte só
chamou a atenção das grandes massas em 1924,
nos Jogos Olímpicos de Paris. A modalidade foi incluída
na Olimpíada desde 1908 em Londres. Mais de 50.000
espectadores acompanharam a final que viu o Uruguai faturar
o ouro olímpico. Em 1928, muitas nações
abriram mão de disputar os Jogos, mas o ouro foi disputado
e ficou novamente em mãos uruguaias. Como o esporte
estava crescendo, a FIFA decidiu em 26 de maio daquele ano
criar um torneio que seria disputado a cada quatro anos por
várias seleções e que definiria quem
seria o campeão mundial. O primeiro torneio seria disputado
em 1930 e não teria eliminatórias, sendo aberto
a todos os países que faziam parte da entidade. Um
ano depois, a FIFA decidiu que o país sede seria o
Uruguai, detentor das duas últimas medalhas de ouro
no futebol e que comemoraria em 1930 o centenário de
sua independência.
Se
o barco não virar, olé, olé, olá...
Sede
escolhida, a decisão foi bem aceita no meio futebolístico,
mas muitos países europeus não aceitaram de
bom grado a decisão, uma vez que os deslocamentos internacionais
eram feitos em sua maioria por navio e não em aviões
como hoje em dia, de modo que muitos times desistiram de viajar
ao Uruguai para a primeira edição do torneio.
Faltando dois meses para que a bola começasse a rolar,
nenhum europeu tinha confirmado participação
no evento, e, graças a intervenção de
Jules Rimet, então presidente da FIFA, quatro países
(França, Bélgica, Iugoslávia e Romênia)
acabaram embarcando para a Copa.
A
Copa em uma única cidade
O
Uruguai não é um grande país em termos
de extensão territorial e uma viagem pelo seu interior
demandaria um grande deslocamento, de modo que o torneio foi
disputado em três estádios, o Centenário,
construído para a Copa e para comemorar o centenário
da independência do país, o Parque Central e
o Pocitos.
13
times em quatro grupos.
Um
único grupo recebeu quatro seleções,
as demais chaves ficaram com três times. A chave A,
que contava com Argentina, Chile, França e México
teve seis jogos para que os times decidissem seu destino na
competição. Os demais grupos, B com Iugoslávia,
Brasil e Bolívia, C com Uruguai, Romênia e Peru
e D com Estados Unidos, Paraguai e Bélgica contaram
com três partidas para definir os classificados.
Grupo
A
A
Argentina levou a melhor e ficou com a vaga. Na partida inaugural,
a França não tomou conhecimento do México,
sapecando uma goleada de 4 x 1. Dois dias depois, a Argentina
estreou com uma magra vitória por 1 x 0. O Chile fez
dois jogos em seguida, contra a França e o México
e venceu os seus compromissos por 3 x 0 e 1 x 0. A Argentina
ainda aplicou uma goleada no México por 6 x 3 e decidiu
sua sorte com os vizinhos fronteiriços, e venceu, por
3 x 1.
Grupo
B
Na
chave do Brasil, que contou com um grupo quase todo formado
por jogadores radicados no futebol carioca, a sorte sorriu
para a Iugoslávia. Na partida inaugural deste grupo,
derrota brasileira por 2 x 1. O segundo jogo praticamente
definiu a situação do grupo, já que a
Iugoslávia ensacou a Bolívia pelo placar de
4 x 0. A participação brasileira na primeira
Copa terminou com uma goleada de 4 x 0 sobre a Bolívia.
Grupo
C
Romênia
e Peru fizeram o primeiro jogo desta chave e a equipe européia
levou a melhor, vencendo por 3 x 1. Na rodada seguinte, o
Uruguai venceu pelo magro placar de 1 x 0 e deixou a decisão
da vaga para a última partida. O Uruguai não
tomou conhecimento dos romenos e aplicou uma goleada por 4
x 0.
Grupo
D
Os
Estados Unidos bateram a Bélgica na partida de abertura
da chave por 3 x 0. O mesmo placar foi registrado dias depois,
quando os compatriotas do Tio Sam bateram o Paraguai. No último
jogo, os paraguaios bateram os belgas pelo placar de 1 x 0.
Semifinais
Os
vencedores de cada grupo fariam as semi finais no cruzamento
Olímpico, o vencedor do A pegaria o campeão
do D e o vencedor da chave B pegaria o vitorioso no grupo
C. A Argentina não tomou conhecimento dos Estados Unidos
batendo o time ianque por 6 x 1. O mesmo placar foi registrado
no jogo entre o Uruguai e os iugoslavos, com vitória
do time da casa. Os perdedores não tiveram direito
a premio de consolação, o de fazer a decisão
do terceiro e quarto lugares.
Final
O
Estádio Centenário recebeu a primeira decisão
de Copa do Mundo da história e antes da bola rolar
na tarde de 30 de julho de 1930, algumas polemicas surgiram.
A rivalidade entre uruguaios e argentinos é tão
histórica quanto a deles com os brasileiros e para
se ter uma idéia, na época não existia
uma bola oficial como temos hoje em dia, tanto que os dois
brigaram para que a partida fosse jogada com a bola usada
em cada país, foi decidido que em cada tempo uma bola
de cada país seria usada.
Quando o árbitro Jan Langenus, da Bélgica apitou
o inicio da partida, as questões de bolas foram deixadas
de lado e a busca pela Taça do Mundo foi iniciada.
O
primeiro grito de gol foi dado pelos uruguaios com o gol de
Pablo Dorado aos 12 do primeiro tempo. Oito minutos depois,
Carlos Peucelle empatou a partida para a Argentina. Guillermo
Stabile marcou o segundo gol argentino aos 37. Logo aos 12
do segundo tempo, Pedro Cea empatou novamente a partida para
o Uruguai, que anotaria mais duas vezes, aos 23 com Victoriano
Santos e aos 44 com Hector Castro.
A
festa uruguaia foi completa quando o presidente da FIFA, Jules
Rimet entregou o troféu “Victoire aux Ailes d'Or",
que anos mais tarde seria conhecida como Taça Jules
Rimet, uma estátua de 30 cm de altura feita de ouro
e pesando 4 kg, ao capitão do Uruguai José Nazassi.
O dia seguinte, 31 de julho acabou se tornando feriado em
todo o país para que os uruguaios comemorasse aquela
conquista.
Na
próxima coluna falaremos da primeira conquista da Itália,
que fez a festa dentro de casa.
Confira
a ficha técnica da final de 1930.
Data e Local (30/07/1930 – Estádio Centenário,
Montevidéu, Uruguai)
Uruguai
4 x 2 Argentina
Juiz:
Jan Langenus (Bélgica). Gols: Pablo Dorado, Pedro Cea,
Santos Iriarte e Héctor Castro (URU); Carlos Peucelle
e Guillermo Stábile (ARG)
Uruguai:
Enrique Ballestero, Jose Nasazzi, Ernesto Mascheroni, Jose
Leandro Andrade, Lorenzo Fernández, Alvaro Gestido,
Pablo Dorado, Héctor Scarone, Héctor Castro,
Pedro Cea, Santos Iriarte. Técnico: Alberto Suppici
Argentina:
Juan Botasso, Jose Della Torre, Fernando Paternoster,
Juan Evaristo, Luis Monti, Pedro Suarez, Carlos Peucelle,
Francisco Varallo, Guillermo Stábile, Manuel (Nolo)
Ferreira, Mario Evaristo. Técnico: Francisco Olazar
Classificação
final da Copa do Mundo de 1930
1
Uruguai
2 Argentina
3 Estados Unidos
4 Iugoslávia
5 Chile
6 Brasil
7 França
8 Romênia
9 Paraguai
10 Peru
11 Bélgica
12 Bolívia
13 México

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