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FUTEBOL DE ONTEM
TODAS AS COPAS DO MUNDO
1958 - NA SUÉCIA, A TAÇA DO MUNDO É NOSSA!!!!
por
Sandro Varela
Olá
amigos do distintivos.com.br estamos chegando com um novo
texto sobre as Copas do Mundo e desta vez falaremos sobre
a sexta edição do torneio, jogado em campos
da Suécia. Antes, vamos situar o leitor sobre o contexto
brasileiro e mundial à época.
No
Brasil, o governante de plantão era Juscelino Kubitschek,
que tocava um ousado plano de obras e incentivava o desenvolvimento
da industria brasileira. A Bossa Nova ganhava forma e ia se
consolidando como um gênero musical. No mundo, a guerra
fria ganhava mais força e Cuba estava a um ano de sofrer
o golpe que levaria ao poder Fidel Castro. Um dos eventos
que ajudaram na preparação ao movimento que
era contrário a permanência de Fulgêncio
Batista no poder foi o seqüestro do pentacampeão
mundial de Fórmula 1, Juan Manuel Fangio quando este
fazia uma visita a Havana.
O
criador da competição, Jules Rimet, faleceu
em 16 de outubro de 1956, aos 83 anos e seu legado foi levado
adiante. Já a definição da escolha da
sede levou em conta a postura neutra na Segunda Guerra Mundial,
terminada 13 anos antes. E como a Suíça, a Suécia
esteve ao largo da confusão reinante naquele período.
A Copa aconteceu entre 8 e 29 de junho daquele ano e contaria
novamente com 16 países na fase final.
Classificados
para ver a Copa no sofá de suas casas...
Pelo
menos quatro países que normalmente são presenças
constantes em Copas ficaram de pernas para o ar, e administrando
crises em seus países. O Uruguai, bicampeão
em 30 e 50 não passou da eliminatória da América
do Sul. Na Europa, forças como Espanha, Holanda e Itália
também viram a Copa pela TV.
Grupo
1
Argentina,
Alemanha Ocidental, Irlanda do Norte e Tchecoslováquia
brigariam pelas duas vagas na fase seguinte. Em Malmoe, Alemanha
e Argentina mediram forças e os germânicos começaram
bem a sua defesa de título, aplicando um 3 x 1 nos
sul-americanos. Já em Halmstad, a Irlanda venceu os
tchecos com uma magra vitória por 1 x 0. Na segunda
rodada, os alemães sofreram com os tchecos e empataram
por 2 x 2 em Halmstad, já os irlandeses foram derrotados
pelos argentinos pelo placar de 3 x 1 em Helsinborg.
Na
última rodada, na cidade de Malmoe, mais um empate
alemão, desta vez com a Irlanda em 2 x 2. Já
em Helsinborg, a Argentina se despedia de forma melancólica
da Copa, ao ser surrada pela Tchecoslováquia por 6
x 1. Irlandeses e tchecos precisavam definir quem seria o
segundo colocado do grupo e fizeram um jogo extra, com necessidade
de prorrogação e que viu vitória da Irlanda
do Norte por 2 x 1.
Grupo
2
França,
Iugoslávia, Paraguai e Escócia brigavam pelas
vagas. Na rodada inaugural, em Norrköping, a França
arrasou o Paraguai com uma goleada por 7 x 3 com três
gols anotados por aquele que viria a ser artilheiro da competição,
Just Fontaine, estaria aí pintando o campeão?
Já em Vaesteras, iugoslavos e escoceses ficaram no
1 x 1. Na segunda rodada, a Iugoslávia surpreendeu
a França na cidade de Vaesteras. O placar foi 3 x 2,
O Paraguai também pregou uma peça na Escócia.
O jogo disputado em Norrkoeping terminou 3 x 2. Na rodada
final, a França garantiu sua vaga com uma vitória
por 2 x 1 sobre a Escócia ma cidade de Oerbro. Já
os iugoslavos empataram em 3 x 3 com os paraguaios na cidade
de Eskilstuna.
Grupo
3
Suécia,
México, País de Gales e Hungria formavam este
grupo. Os suecos bateram os mexicanos na estréia no
estádio Rasunda, em Estocolmo por 3 x 0. Já
em Sandvikem, húngaros e galeses ficaram no 1 x 1.
Na segunda rodada, um empate e uma vitória. Mexicanos
e galeses ficaram no 1 x 1 em Estocolmo. Suecos e húngaros
jogaram no Rasunda e os donos da casa marcaram 2 x 1 nos magiares.
Na última rodada, os donos da casa, jogando em Estocolmo
ficaram no 0 x 0 com o time do País de Gales, já
húngaros e mexicanos, que mais uma vez contavam com
Antonio Carbajal, jogaram em Sandviken, com vitória
magiar por 4 x 0. Houve a necessidade de fazer um jogo desempate
entre País de Gales e Hungria, já que eles empataram
nos critérios de desempate. O jogo aconteceu em Estocolmo
e viu vitória de Gales por 2 x 1.
A
preparação brasileira
Antes
de falarmos da chave propriamente dita, vamos comentar sobre
a preparação brasileira. O Brasil vinha de alguns
insucessos e desta vez queria fazer bonito em gramados suecos
e se possível enterrar o complexo de inferioridade
que o acompanhava. Para isso, a presidência da CBD,
então a cargo de João Havelange decidiu entregar
a chefia da delegação a Paulo Machado de Carvalho
e um completo plano de preparação, incluindo
psicólogo, nutricionista e tudo o que a seleção
precisasse para fazer um bom papel. Mas um pouco de desorganização
sempre acontece...
Cadê
os números????
Na
hora de inscrever os atletas no mundial, a CBD mandou a relação,
mas não mandou os números. A entidade foi avisada
e como não havia muito tempo para ajeitar com calma
a numeração foi necessária a ajuda de
um sueco. Só que ele não sabia patavinas do
futebol brasileiro e outorgou numerações impensáveis
em alguns jogadores.
Um exemplo foi dar a camisa 3, numero que normalmente está
destinado a um zagueiro, ao goleiro Gilmar, do Corinthians.
O reserva, Carlos Castilho, que era o arqueiro titular do
Fluminense, envergava a 1. O ponta-esquerda, Zagalo, que era
do Flamengo, estava com a 7 às costas. Dois reservas
que se destacariam nessa Copa tiveram sua história
ligada aos números. O ponta-direita Garrincha, do Botafogo,
envergou a 11 e um moleque nascido em Três Corações
(MG), e que se mudou ainda criança para Bauru (SP)
recebeu a camisa 10. Nunca esse sueco imaginou que destinar
o número 10 a Édson Arantes do Nascimento, ou
simplesmente Pelé, seria o casamento perfeito entre
a arte e um numeral. O atleta do Santos fazia em campos suecos
sua primeira Copa do Mundo.
Grupo
4
Brasil, Áustria, União Soviética e Inglaterra
jogaram pelas vagas nesta chave. Na primeira rodada, em Udevalla,
o Brasil passou fácil pelos austríacos por 3
x 0. Em Gotemburgo, soviéticos e ingleses empataram
por 2 x 2.
O
primeiro 0 x 0 em Copas
Gotemburgo
teve o desprazer em ver o primeiro 0 x 0 em Copas, protagonizado
por brasileiros e ingleses. O resultado faria com que os jogadores
pressionassem junto ao técnico Vicente Feola para que
fizesse alterações na equipe, então dominada
por jogadores brancos. A principal reclamação
era que faltava gingado na equipe. Já em Boras, a União
Soviética venceu a Áustria por 2 x 0. Na
última rodada, Inglaterra e Áustria empataram
por 2 x 2. O jogo aconteceu em Boras. Já em Gotemburgo...
A
estréia de Pelé e Mané
O
Brasil entrava em campo para decidir sua sorte na primeira
fase da Copa e com duas alterações em relação
ao jogo contra os ingleses. Para pegar os soviéticos,
Pelé e Mane Garrincha entravam nos lugares de Joel,
meia do Flamengo e José Altafini, que na época
defendia o Palmeiras e que depois se tornaria italiano e adotaria
o apelido de Mazzola. As mudanças deram um resultado
plenamente satisfatório, já que o escrete canarinho
venceu os soviéticos por 2 x 0, gols de Vavá.
Houve ainda a necessidade de um jogo desempate entre a União
Soviética e a Inglaterra. Os soviéticos, em
Gotemburgo, bateram os ingleses por 2 x 0.
Quartas-de-final
Em
Malmöe, a Alemanha Ocidental pegou a Iugoslávia
e venceu por 1 x 0. Seu adversário na Semifinal seria
a Suécia, que passou em Estocolmo pela União
Soviética por 2 x 0.
A outra semifinal envolveria o Brasil, que jogou em Gotemburgo
contra o País de Gales e venceu pelo magro placar de
1 x 0, gol de Pelé, que anotava seu primeiro tento
em Copas. O adversário do Brasil seria a França,
que passou em Norrkoeping pela Irlanda do Norte pelo placar
de 4 x 0.
Semifinal
A
Suécia conseguiu garantir sua vaga para a final ao
bater a Alemanha Ocidental por 3 x 1 em Gotemburgo. A sua
rival na final seria o Brasil, que pegou a França e
aplicou uma goleada de 5 x 2 com direito a show de Pelé,
que anotou três tentos.
3º
lugar
A
França venceu a Alemanha em Gotemburgo por 6 x 3 e
ficou com o terceiro lugar na Copa
O
Manto Azul de Aparecida
Brasil
e Suécia fariam a final, mas havia um problema. Ambas
as equipes jogavam com camisas amarelas e calções
azuis e algum time precisava atuar com outro uniforme. Foi
feito um sorteio e a dona da casa ganhou o direito de jogar
com o uniforme 1. O resultado desagradou ao chefe da delegação,
Paulo Machado de Carvalho, mas ao ver o atacante Didi, seu
semblante mudou, garantindo ao atleta que o Brasil havia conquistado
a Copa. O jogador ficou hesitante, perguntando como isso havia
acontecido, uma vez que a partida final ainda não havia
sido realizada. Machado disse que o Brasil entraria em campo
vestindo a camiseta azul, o uniforme número 2 e que
tinha a mesma cor do manto que envolve a imagem da padroeira
do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.
O
jogo final
O
Estádio Rasunda recebeu o mais importante jogo de sua
história, a final da Copa do mundo de 1958 entre Suécia
e Brasil. Aos 4 minutos de jogo, Liedholm anotou o primeiro
gol sueco e colocava em seus compatriotas a confiança
de que aquela tarde seria festiva para a Suécia. Só
que quatro minutos depois, Vavá, o Leão da Copa
anotou o tento de empate do Brasil. Aos 32 minutos, o mesmo
Vavá marcou o segundo gol canarinho.
O
Brasil seguia ditando o ritmo do jogo e aos 10 da segunda
etapa, Pelé recebe a bola, dá um chapéu
no zagueiro sueco e manda um tiro indefensável na meta
sueca. Aos 23 minutos, a festa brasileira ganhava mais um
reforço, Zagalo ganha no pé de ferro da defesa
sueca e anota o quarto gol canarinho. A Suécia ainda
faria mais um gol na meta defendida por Gilmar, numa bola
chutada por Simonsson. Mas, aos 45 do segundo tempo a festa
que havia tomado conta das ruas brasileiras virava um carnaval
completo. A bola foi cruzada na área por Nilton Santos
e encontrou Pelé, que de cabeça anotou o quinto
gol brasileiro em Estocolmo. O Brasil superava os seus traumas
e pela primeira vez faturava o título de campeão
mundial de futebol.
Como
tudo era novidade, até a cerimônia de premiação
contou com uma novidade. Era praxe naquela época apenas
receber o troféu de campeão e deixar os fotógrafos
baterem suas fotos, só que sem querer, um gesto de
Hildebrando Luiz Bellini acabou se tornando referencia mundial
em comemorações, ao erguer a taça bem
alto para que todos vissem quem era o vitorioso.
No
nosso próximo texto, falaremos da sétima Copa
do Mundo, que voltava a acontecer na America do Sul, mais
precisamente no Chile.
Confira
a ficha técnica da final da Copa do Mundo de 1958
Brasil
5 x 2 Suécia
Data
e Local: 29/06/1958 Estádio Rasunda, Estocolmo, Suécia
Arbitro:
Maurice Guigue (França), auxiliado por Juan Gardeazabal
(Espanha) e Albert Dusch (Alemanha Oc.).
Brasil:
Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos, Zito,
Didi, Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Técnico:
Vicente Feola
Suécia:
Svensson, Bergmark, Axbom, Börjesson, Gustavsson, Parling,
Hamrim, Gren, Simonsson, Liedholm e Skoglund
Técnico: Georges Raynor
Confira a classificação final da Copa de 1958:
1)
Brasil
2) Suécia
3) França
4) Alemanha Ocidental
5) País de Gales
6) União Soviética
7) Irlanda do Norte
8) Iugoslávia
9) Paraguai
10) Tchecoslováquia
11) Hungria
12) Inglaterra
13) Argentina
14) Escócia
15) Áustria
16) México

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