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FUTEBOL DE ONTEM
TODAS AS COPAS DO MUNDO
1986 - A ARTE DE GANHAR UMA COPA SOZINHA, POR DIEGO MARADONA
por
Sandro Varela
Olá
amigos do distintivos.com.br, estamos chegando com um novo
texto sobre Copas do Mundo e desta vez falaremos sobre o torneio
de 1986. Antes de começarmos nosso bate-bola, falaremos
sobre as coisas que aconteceram naquela época.
Neste
período tivemos a volta das eleições
diretas e por algum tempo o Brasil sonhou com a realização
das eleições diretas. Contudo, a emenda Dante
de Oliveira foi barrada pelo Congresso Nacional. Só
que a vontade de João Figueiredo de manter o governo
sob controle de pessoas ligadas à ditadura caiu por
terra em janeiro de 85, quando Tancredo Neves foi eleito.
Só que ele não pôde tomar posse devido
a uma grave doença no intestino, que o levou à
morte em 21 de abril. Assumiu no seu lugar o vice, José
Sarney, e em fevereiro de 86, o país conheceu um terremoto
na economia, o Plano Cruzado, que tentou frear a inflação.
O mundo viu o surgimento da AIDS, a abertura econômica
na União Soviética e o desastre nuclear em Chernobyl
(Ucrânia).
No
período, vimos o Flamengo faturar o título de
1983, Fluminense campeão em 84, a festa do Coritiba
em 85 e o segundo título do São Paulo em 86.
Era
num lugar, mas foi em outro...
A
Colômbia seria a sede da Copa de 1986, só que
os problemas econômicos acabaram fazendo com que o país
desistisse da empreitada. O México acabou propondo
e ficou com a competição. Porém um ano
antes do torneio, um terremoto praticamente devastou o país.
Houve um esforço e tanto no povo local para colocar
o país em condições de receber a competição
que rolou entre os dias 31 de maio e 29 de junho.
Grupo
A
Itália,
Argentina, Coréia do Sul e Bulgária jogariam
a sua sorte nas cidades do México, (Azteca e Olímpico)
e Puebla (Cuathemoc). O primeiro jogo do grupo foi também
o jogo inaugural daquela Copa, colocando frente a frente a
atual campeã, a Itália e a Bulgária,
o jogo acabou 1 x 1. Já a Argentina estreou frente
a Coréia do Sul e apesar de ainda apresentar um time
com numeração de camisa baseada na ordem numérica
dos nomes e um time bastante limitado, tinha no seu camisa
10 o craque que ela podia se orientar, Diego Maradona. O jogo
acabou 3 x 1, com participação direta do já
camisa 10 do Napoli em todos os gols.
Na
segunda rodada, tivemos um clássico do futebol mundial,
italianos e argentinos empataram em um gol, mesmo placar do
jogo entre búlgaros e coreanos. Na rodada final, a
Itália, que parece ter feito um mestrado de sofrimento
em Copas, penou para vencer os coreanos por 3 x 2. Já
a Argentina passou como quis pela Bulgária, 2 x 0.
Nesta chave, Itália e Argentina passaram de fase e
não houve terceiro colocado classificado.
Grupo
B
México,
Bélgica, Paraguai e Iraque jogaram na Cidade do México
(Azteca) e Toluca (Bombonera). No jogo inaugural do grupo,
a dona da casa, que tinha como destaques o goleiro Larios,
o meia Tomás Boy e o centroavante Hugo Sanchez, venceu
a Bélgica por 2 x 1. Já o Paraguai que tinha
Gaetano Re como técnico e Romerito como maior destaque
em campo penou para vencer o time do país que à
época era dirigido por Saddam Hussein pelo placar de
1 x 0. No clássico latino deste grupo, México
e Paraguai ficaram no 1 x 1. Já os belgas passaram
pelos iraquianos por 2 x 1. Na rodada final, os donos da casa
venceram os iraquianos pelo modesto placar de 1 x 0. Belgas
e paraguaios empataram por 2 x 2, o resultado ajudou a levar
México, Paraguai e Bélgica para a fase seguinte.
Grupo
C
União
Soviética, Canadá, Hungria e França mediram
forças nas cidades de Leon (Nou Camp) e Irapurato.
No jogo de abertura, a França penou para vencer o Canadá
por 1 x 0. Já os soviéticos deram um corretivo
nos seus colegas de "Cortina de Ferro", 6 x 0. Na
rodada seguinte, franceses e soviéticos ficaram no
1 x 1, já os húngaros passaram pelos canadenses
por 2 x 0. Na rodada final, a França despachou os magiares
com o placar de 3 x 0. Já os soviéticos venceram
o Canadá por apenas 2 x 0. O "apenas" se
deve ao fato de o time canadense não ter somado um
ponto sequer nessa fase.
Grupo
D
Brasil,
Espanha, Argélia e Irlanda do Norte jogaram em Guadalajara
(Jalisco e Três de Marzo) e em Monterrey (Tecnológico).
O time canarinho, novamente comandado por Telê Santana
tinha muitos jogadores remanescentes da bela campanha de 1982,
mas tinha alguns novos talentos como Julio César, um
então vigoroso zagueiro do Guarani e Muller, um atacante
revelado pelo São Paulo que construiria uma rica e
vitoriosa historia no futebol. O grupo ainda sentiu um importante
desfalque, Leandro, então lateral do Flamengo que se
recusou a embarcar para o México em solidariedade ao
corte de seu amigo Renato Portaluppi, então ponta do
Grêmio.
Só
que no primeiro jogo... Foi
gol??? Juro que não vi...
..O
Brasil contou com uma ajuda e tanto, do juiz Christopher Bambridge,
da Austrália que não viu a bola dentro do gol
depois de um chute de Salinas. Sócrates anotou o gol
do Brasil. Argelinos e irlandeses empataram em 1 x 1. O futebol
brasileiro continuava não mostrando o mesmo encanto
de antes, sofrendo para passar pela Argélia, de Madjer,
com o modesto placar de 1 x 0, gol de Careca. Os espanhóis
venceram os irlandeses por 2 x 1. Na última rodada,
Careca abriu o placar aos 15, Josimar, então lateral
do Botafogo mandou um balaço de fora da área
aos 42 e Careca novamente aos 42 da segunda etapa fechou o
placar da terceira vitória brasileira nessa fase. Os
espanhóis trucidaram os argelinos ao vencer por 3 x
0.
Grupo
E
Alemanha
Ocidental, Uruguai, Dinamarca e Escócia jogaram nas
cidades de Queretaro (La Corregedoria) e Nezahualcoyotl (Neza).
O Uruguai, que teve a ousadia de deixar Rodolfo Rodriguez,
então goleiro do Santos no banco e contava com Enzo
Francescoli, meia do River Plate, empatou com a Alemanha de
Rumenigge, Matthaus e Voeller por 1 x 1. A Escócia
perdeu para a Dinamarca por 1 x 0. Na segunda rodada os alemães
bateram os escoceses por 2 x 1.
Muito
prazer, Dinamarca!
Já
a Dinamarca mudou de nome naquela competição,
passando a ser conhecida como "Dinamáquina",
já que seu futebol era muito envolvente. Elkjar-Arsen
(3), Lerby, Michael Laudrup e Brian Olsen anotaram os seis
gols dinamarqueses. Para os uruguaios, Francescoli maçou
o gol de honra. O Uruguai ainda teve um jogador expulso, Bossio,
por entrada violenta em Berggreen. Na rodada final, enquanto
a Dinamarca passava pelos alemães com uma vitória
por 2 x 1, uruguaios e escoceses ficaram no 0 x 0.
Grupo
F
Nesta
chave, Marrocos, Polônia, Inglaterra e Portugal decidiriam
sua sorte. Os jogos aconteceram nas cidades de Monterrey (Tecnológico
e Universitário) e em Guadalaraja (Jalisco). Na abertura,
poloneses e marroquinos ficaram no 0 x 0, já Portugal,
que fazia sua reestréia em Copas venceu a Inglaterra
por 1 x 0. Na segunda rodada, Inglaterra e Marrocos ficaram
no 0 x 0, já a Polônia, que via a última
Copa de Boniek, venceu os portugueses por 1 x 0. Na última
rodada, a Inglaterra passou fácil pela Polônia,
3 x 0. Portugal conseguiu perder para Marrocos por 3 x 1 e
voltou mais cedo para casa.
Oitavas
de final
A
Alemanha mandou Marrocos para casa após vencer o país
africano por 1 x 0. Seu rival na próxima fase seria
a seleção dona da casa, o México, que
jogou contra a Bulgária e venceu por 2 x 0. A Itália
parou na França, que venceu o jogo por 2 x 0 e seu
rival na fase seguinte, as quartas, seria o Brasil, que trucidou
a Polônia ao vencê-la por 4 x 0.
No
outro lado da chave, a Argentina se garantiu na fase seguinte
depois de vencer o Uruguai por 1 x 0 e seu rival nas quartas
seria a Inglaterra que despachou o Paraguai por 3 x 0. O último
jogo das quartas seria entre Espanha, que aniquilou com a
Dinamarca, por 5 x 1, e pegaria a Bélgica, que sofreu
para superar a União Soviética. O jogo precisou
d euma prorrogação e acabou 4 x 3.
Quartas
de final
Brasil
e França fizeram o jogo inaugural das quartas de final
e para um duelo de gigantes, nada que uma boa dose de emoção
não ajude a apimentar esta partida. Careca, aproveitou
uma bola que sobrou na entrada da área e mandou para
o fundo da meta defendida por Joel Bats, fazendo 1 x 0 aos
17 da primeira etapa. Aos 40 veio o troco, Michel Platini
empatou a partida, justamente no dia de seu aniversário,
Só que o presente ainda viria mais tarde de um modo
bem sofrido.
Aos
26 da segunda etapa, Zico entrou em campo no lugar de Muller
e pouco depois viu Branco arrancar para a área e ser
derrubado pelo goleiro Bats. Pênalti anotado e o "Galinho"
pediu para bater. Zico correu, bateu e... Bats defendeu! Muita
gente ainda hoje critica Zico por ter tentado bater o tiro
da marca fatal, mas entendo que se ele tinha confiança
de que ele poderia superar toda a série de infortúnios
que começou desde a entrada do zagueiro Marcio, do
Bangu num jogo do campeonato carioca de 1985 e seguiu por
uma série de cirurgias, mas vida que segue. O jogo
acabou indo para os pênaltis e nem mesmo os pênaltis
perdidos por Julio César e Sócrates fizeram
a torcida esquecer da cobrança de Zico no tempo normal.
A França seguiu adiante, mas...
Nossa
vingança "sará maligrina" !!!
No
dia seguinte aconteceu a disputa do Grande Prêmio dos
Estados Unidos de Fórmula 1 em Detroit e a vitória
acabou ficando com Ayrton Senna, que dividiu o pódio
com dois franceses. Jacques Laffite, o segundo colocado e
Alain Prost, o terceiro. A vitória de Senna, a quarta
de sua carreira marcou também a primeira vez que ele
introduziu uma de suas marcas junto a torcida. Após
a bandeirada, ele encostou o carro e pediu para um torcedor
entregar a bandeira, pedido atendido, ele fez a volta de retorno
ao box segurando a bandeira brasileira e essa mesma bandeira
foi ao pódio.
Bye
Bye, México...
O
México caía novamente em uma Copa disputada
em casa, desta vez a Alemanha derrotou os anfitriões
nos pênaltis. No tempo normal, 0 x 0. Na prorrogação
o placar persistiu, e nos pênaltis, os alemães
acabaram vencendo por 4 x 1.
Dieguito
só não fez chover
Argentina
e Inglaterra fizeram o terceiro confronto das quartas de final
e este tinha tudo para ser um jogo explosivo, pois havia um
pouco do rancor portenho por ter perdido a Guerra das Malvinas/Falklands.
A primeira etapa acabou 0 x 0, mas a polemica e o show não
iriam demorar...
La
mano de Dios
Aos
seis da segunda etapa, Maradona recebeu um lançamento
na área e ganhou da zaga inglesa. Como certamente o
goleiro Peter Shilton pegaria a bola, ele não teve
duvidas de dar uma cortada digna de jogos de vôlei e
mandar para o fundo das redes. Mesmo com a reclamação
dos súditos da rainha britânica junto ao bandeirinha,
o gol foi validado.
E
que golaço!!!!!!
Quatro
minutos depois, de novo Maradona deu seu show. Ele recebeu
a bola na linha divisória do campo e saiu driblando
quem visse pela frente. O astro argentino levou a defesa inglesa
na conversa e deu uma cortada final em Shilton, empurrando
a bola para o fundo da rede inglesa. A Inglaterra descontaria
aos 35 da segunda etapa com Gary Lineker, mas aí já
era tarde.
A
Fúria caiu...
No
último jogo das quartas, mais um empate, desta vez
por 1 x 1 tanto no tempo normal quanto na prorrogação.
O jogo foi decidido nos pênaltis e os Belgas avançaram
vencendo por 5 x 4.
Semi
final
A
revanche de 82 não aconteceu. A Alemanha venceu a França
por 2 x 0, gols de Brehme aos 9 da primeira etapa e Voeller
aos 44 do segundo tempo. Seu rival na final seria a Argentina,
que passou pela Bélgica por 2 x 0, dois gols de Maradona
aos 8 e aos 18 da segunda etapa.
Terceiro
lugar
A
França venceu a Bélgica por 4 x 2 e ficou com
o terceiro lugar na Copa do Mundo de 1986.
Final
Um
duelo de gigantes estava programado para o dia 29 de junho
de 1986 no Estádio Asteca na Cidade do México.
Um time queria o seu segundo titulo e o o outro queria o seu
terceiro título, igualando a Itália e Brasil.
O jogo começou bem disputado com muitos ataques de
lado a lado e aos 23 da primeira etapa, Brown anotou o 1 x
0 para os argentinos. O primeiro tempo seguiu sendo bastante
disputado e terminou com o placar inalterado.
O
susto
Os
times voltaram para a segunda etapa e quando o ponteiro do
relógio indicava 11 minutos da segunda etapa, Jorge
Valdano recebeu um lançamento de Maradona e ganhou
da zaga e do goleiro Schumacher anotando o segundo gol argentino.
Parecia que tudo estava decidido, mas o time verde (sim, a
Alemanha Ocidental jogava com o segundo uniforme na cor verde),
reagiu. Aos 28, depois de uma cobrança de escanteio,
a bola sobrou para Rumenigge fazer o primeiro gol alemão.
O 2 x 2 não demorou para chegar. Novamente o time de
Franz Becekenbauer atacou a Argentina e fez com que o goleiro
Nery Pumpido mandasse a bola para escanteio. Brehme bateu
e Voeller mandou, aos 37 a bola para o fundo da rede de Pumpido.
Sempre
ele.
O
jogo parecia decidido, ao menos no tempo normal. Iríamos
para uma prorrogação, mas esqueceram de avisar
Maradona e os argentinos do script. Exatamente um minuto depois
do empate alemão, Maradona recebeu uma bola no meio
de campo e lançou para Burruchaga anotar o gol do título.
Se em 1978 o time de Menotti teve muitas contestações,
principalmente no campo político, a equipe de 1986,
comandada por Carlos Billardo, ex-jogador do Estudiantes de
La Plata tinha uma tática que acabou se revelando bem
sucedida, bola para Maradona que ele resolve e para a alegria
dos argentinos ele decidiu, ganhando o direito de receber
das mãos do presidente da FIFA, João Havelange
a taça de campeão mundial.
No
nosso próximo texto, falaremos daquela que muitos consideram
como a pior Copa de todos os tempos, que aconteceu na Itália.
Confira
a ficha técnica da final de 1986:
Argentina
3 x 2 Alemanha Ocidental
Data
e Local: 29/06/1986, Estádio Asteca, Cidade do México
Árbitro:
Romualdo Arpi Filho (Brasil), auxiliado por Erik Fredriksson
(SUE) e Benny Ulhoa (CRC). Público: 114.600 pessoas
Cartões
amarelos: Maradona, Olarticoechea, Enrique e Pumpido; Matthaeus
e Briegel
Gols:
Brown, aos 23min do primeiro tempo; Valdano, aos 10min, Rummenigge,
aos 29min, Voeller, aos 35min, e Burrochaga, aos 38min do
segundo.
Argentina:
Pumpido, Brown, Ruggeri, Giusti, Batista, Olarticoechea
e Burrochaga (Trobbiani), Enrique, Cuciffo, Maradona e Valdano.
Técnico: Carlos Bilardo
Alemanha
Ocidental: Schumacher, Eder, Brehme, Forster e Briegel;
Berthold, Jakobs, Magath (Hoeness) e Matthaeus, Allofs (Voeller)
e Rummenigge. Técnico: Franz Beckenbauher.
Confira
a classificação final da Copa do Mundo de 1986
1)
Argentina
2)
Alemanha Ocidental
3) França
4) Bélgica
5) Brasil
6) México
7) Espanha
8) Inglaterra
9) Dinamarca
10)
União Soviética
11)
Marrocos
12)
Itália
13)
Paraguai
14)
Polônia
15)
Bulgária
16)
Uruguai
17)
Portugal
18)
Hungria
19)
Escócia
20)
Coréia do Sul
21)
Irlanda do Norte
22)
Argélia
23)
Iraque
24)
Canadá

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