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FUTEBOL DE ONTEM
TODAS AS COPAS DO MUNDO
1990 - A PIOR COPA DE TODOS OS TEMPOS
por
Sandro Varela
Olá
amigos do distintivos.com.br, estamos chegando com um novo
texto sobre Copas do Mundo e desta vez falaremos sobre o mundial
de 1990, na Itália, que certamente só deixou
boas lembranças na memória dos alemães,
que ficaram com o título. A conquista, falaremos a
seguir.
Antes,
vamos voltar à época. O Brasil viu o fracasso
do Plano Cruzado e ainda viu outras infrutíferas tentativas
de cortar a inflação que afligia o povo. Em
1988 tivemos a promulgação de nossa nova constituição
e no ano seguinte o Brasil voltou a poder eleger um presidente
da república pelo voto direto. O escolhido, Fernando
Collor de Mello. O mundo viu a ascensão e queda do
fenômeno Mike Tyson, os dois primeiros títulos
mundiais de Ayrton Senna, o fim da guerra fria e a queda do
Muro de Berlim. A China viu reivindicações de
uma maior abertura política, que foram caladas com
o exército na rua. Nosso futebol doméstico viu
um confuso ano e 87, quando para a CBF o titulo ficou com
o Sport Recife, embora muitas pessoas digam que o campeão
foi o Flamengo. Em 88 a festa do Bahia, em 89 o titulo ficou
com o Vasco e em 90 o Corinthians faturou seu primeiro titulo
nacional.
A
Competição durou um mês, de 8 de junho
a 8 de julho.
Classificado
para ver a Copa do sofá e casa...
A
França e a Dinamarca acabaram dançando nas eliminatórias
européias e viram a competição pela TV.
Grupo
A
Itália,
Tchecoslováquia, Estados Unidos e Áustria jogaram
as partidas desta chave, que aconteceram em Roma (Olímpico)
e em Florença (Comunale). A Itália bateu a Áustria
por 1 x 0 e a Tchecoslováquia trucidou os Estados Unidos
por 5 x 1. Na segunda rodada,
Os
italianos bateram os norte-americanos por apenas 1 x 0. Já
os tchecos bateram os austríacos por 1 x 0. Na última
rodada, a Áustria bateu os Estados Unidos por 2 x 1,
enquanto que os italianos bateram os tchecos por 2 x 0.
Grupo
B
Argentina,
Camarões, Romênia e União Soviética
jogaram nas cidades de Milão (San Siro/Giuseppe Meazza),
Nápoles (San Paolo) e Bari (San Nicola).
A
zebra que veio de Yaounde
A
Argentina entrou em campo na cidade de Milão para começar
a sua defesa e título contra a Republica dos Camarões.
O jogo que parecia ser mamão-com-açúcar
para os argentinos, mas aos 22 da segunda etapa, François
Omam deu um golpe certeiro nas pretensões do time comandado
por Carlos Bilardo. O jogo acabou 1 x 0 para Camarões.
No outro jogo da rodada 1, a Romênia venceu a União
Soviética por 2 x 0.
La
Mano de Dios, parte II
No
segundo jogo da Argentina nesta Copa, contra a União
Soviética, Diego Maradona voltou a aprontar uma das
suas. Num ataque Soviético, a bola foi cruzada na área
e em seguida cabeceada rumo ao gol, só que o meia-atacante
colocou o braço no caminho da bola e o juiz nada deu.
O jogo terminou 2 x 0 para a Argentina. Camarões bateu
a Romênia por 2 x 0 Na última rodada, A União
Soviética surrou Camarões por 4 x 0. Já
a Argentina empatou em um gol com a Romênia.
Grupo C
Brasil,
Suécia, Costa Rica e Escócia jogaram nas cidades
de Turim (Delle Alpi) e Genova (Luigi Ferrara). O Brasil foi
para esta competição recheado de incertezas,
confusões e brigas internas. O time canarinho tinha
um técnico abaixo da critica, de tão fraco que
ele era, Sebastião Lazaroni. Brigas por dinheiro e
a indefinição da presença de Romário,
que tinha no trabalho do fisioterapeuta Nilton Petroni, o
Filé, a esperança para poder jogar esta competição,
mas ao mesmo tempo, o médico Lídio Toledo vivia
criticando os métodos de Petroni. O tempo mostrou quem
estava certo, e não foi o caquético médico...
No primeiro jogo, o Brasil venceu por 2 x 1 a equipe da Suécia,
gols de Careca (2) e Brolin. A Costa Rica na sua estréia
venceu a Escócia por 1 x 0. Na segunda rodada, o Brasil
penou para vencer os costarriquenhos por 1 x 0, gol de Muller.
Os escoceses bateram a Suécia por 2 x 1. Na rodada
final, enquanto o Brasil vencia os escoceses pelo modesto
placar de 1 x 0, a Costa Rica vencia a Suécia por 2
x 1.
Grupo
D
Alemanha
Ocidental (ainda nessa Copa tivemos duas Alemanhas, elas voltaram
a ser uma só apenas em 94), Colômbia, Emirados
Árabes Unidos e Iugoslávia jogaram nas cidades
de Milão (Giuseppe Meazza/San Siro) e Bologna (Renato
Dalla'ara). Antes de falar da disputa nessa chave, vale uma
explicação sobre o nome do estádio de
Milão ser duplamente batizado. Como os dois maiores
rivais daquela localidade mandam seus logos neste estádio,
cada um chama o campo como lhe convém. Para os torcedores
da Inter, é San Siro e não tem conversa. Já
para a torcida do Milan, esta é uma forma de homenagear
um craque do time milanista da década de 30 e que atuou
na seleção da Itália bicampeã
do mundo.
Os
alemães apresentaram um belo cartão de visitas
aos iugoslavos, ao surrá-los por 4 x 1. Já o
jogo entre colombianos e árabes acabou 2 x 0 para a
Colômbia, o que acabou sendo encarado como normalidade
entre duas seleções ditas "fracas",
só que no time colombiano havia a geração
de José René Higuita, Carlos Valderrama e Faustino
Asprilla. Na segunda rodada, a Iugoslávia passou apertado
pela Colômbia. 1 x 0, enquanto isso a Alemanha Ocidental
atropelou os Emirados Árabes Unidos por 5 x 1. Na última
rodada, a Iugoslávia despachou os Emirados Árabes
Unidos por 4 x 1, já em Milão...
Na
terra da ópera, o drama colombiano
Um
dos poucos jogos em que a emoção falou alto.
O primeiro tempo terminou 0 x 0 e o resultado já classificaria
as duas equipes para a fase seguinte, mas o time de Bodo Ilgner,
Lotthar Matthaus, Andreas Brehme, Jurgen Klinsmann e Rudi
Voller não queria facilitar a vida dos latinos.O empate
persistiu até aos 44 da segunda etapa quando Pierre
Littbarski marcou o 1 x 0, que poderia mandar os colombianos
de volta para casa, só que no minuto seguinte, Freddy
Rincon, meio campista que fez muita história no futebol
brasileiro empatou e classificou a Colômbia para a fase
seguinte.
Grupo
E
Espanha,
Uruguai, Coréia do Sul e Bélgica jogaram nas
cidades de Verona (Marco Antonio Bentegodi) e Udine (Friuli).
A primeira rodada mostrou a vitória dos belgas sobre
os coreanos por 2 x 0, e o empate latino entre espanhóis
e uruguaios. Na segunda rodada, a Espanha passou pela Coréia
do Sul pelo placar de 3 x 1, mesmo placar da vitória
da Bélgica sobre o Uruguai. Na última rodada,
o Uruguai ganhou da Coréia do Sul por 1 x 0 e a Espanha
venceu a Bélgica por 2 x 0.
Grupo
F
Esta
chave ficou com fama de chave briguenta, já que nela
tínhamos duas seleções com suas torcidas
violentas. Inglaterra e Holanda, completaram a chave República
da Irlanda e a novidade africana, o Egito. Apesar de o risco
de violência nesta chave ser alto, tivemos sim futebol.
Na primeira rodada, o 1 x 1 prevaleceu nos jogos entre Republica
da Irlanda e Inglaterra, Holanda e Egito. Na segunda rodada,
a igualdade persistiu, mudando apenas o placar e os jogos
0 x 0 reinou nos confrontos entre ingleses e holandeses, irlandeses
e egípcios. Na última rodada, A Inglaterra somou
dois pontos que lhe deram a primeira colocação
do grupo ao bater o Egito por 1 x 0. Republica da Irlanda
e Holanda ficaram no 1 x 1.
Oitavas
de final
Camarões,
que já contava com a simpatia de muitas torcidas mundo
a fora despachou a Colômbia, com direito a uma falha
grotesca de Higuita, que tentou sair jogando e perdeu a bola
para Roger Milla anotar o gol da vitória. O jogo terminou
2 x 1 na prorrogação e o seu adversário
nas quartas seria a Inglaterra, que passou pela Bélgica
pelo placar de 1 x 0, também na prorrogação.
A Iugoslávia bateu a Espanha, para variar, na prorrogação
2 x1
O
último samba em Turim
Já
a Argentina, que seria a rival do time iugoslavo na fase seguinte
bateu o Brasil. O jogo, bem... foi a melhor atuação
do escrete comandado por Sebastião Barroso Lazaroni,
mas o time não empolgava a ninguém. Na partida
frente aos argentinos, o Brasil teve o domínio da bola
durante boa parte da partida, mas não convertia a superioridade
em gols e aos 35 da segunda etapa, nada menos que cinco brasileiros
davam combate sobre Maradona e nenhum fez falta colocou o
pé na frente dele, nada, ainda assim, o astro do Napoli
rolou para Cláudio Cannigia estufar a rede de Taffarel,
na época goleiro do Internacional de Porto Alegre e
anotar o 1 x 0, que acabou com as esperanças brasileiras.
Para tamanha covardia, nada melhor que uma eliminação
assim. Lazaroni nunca deu um padrão tático ao
Brasil, ficava mais preocupado em gravar comerciais ou negociar
sua ida à Fiorentina que dirigir de fato o Brasil,
o tempo mostrou que não merecíamos o prolixo
e incompetente técnico no comando do Brasil.
Nos
outros jogos, a Alemanha venceu a Holanda por 2 x 1, com uma
série de ofensas entre Voller e Gullit, que redundaram
nas suas expulsões. Os alemães iriam pegar a
Tchecoslováquia, que deu um sacode na Costa Rica, 4
x 1. Por fim, a Itália que despachou o Uruguai por
2 x 0, enfrentaria a Republica da Irlanda, que bateu a Romênia
por 5 x 4 nos pênaltis, depois de um persistente 0 x
0 no tempo normal e na prorrogação.
Quartas
de final
A
Argentina dependeu de Sergio Goycochea para passar de fase.
O goleiro, que assumiu a titularidade depois da fratura de
Nery Pumpido foi decisivo tanto no tempo normal e na prorrogação,
quando o jogo ficou no 0 x 0, quanto nos pênaltis, com
vitória por 3 x 2 sobre a Iugoslávia. A sua
adversária na semifinal seria a Itália, que
venceu a Republica da Irlanda, com mais um gol do artilheiro
daquela competição, Salvatore "Toto"
Schilacchi. A outra semi final seria disputada entre a Alemanha
Ocidental, que passou pela Tchecoslováquia pelo placar
de 1 x 0 e pegaria a Inglaterra, que venceu a Republica dos
Camarões naquele que foi considerado o melhor jogo
daquela Copa. No tempo normal, 2 x 2, gols de David Platt,
Emannuel Kunde, Eugene Ekkeke e Gary Lineker. O mesmo Lineker
anotaria mais uma vez na prorrogação finalizando
o placar. O estádio inteiro e o time inglês aplaudiu
a luta dos camaroneses, que deram uma volta olímpica
para saudar o carinho do público presente.
Semifinal
As
duas semifinais acabaram do mesmo jeito, indo para os pênaltis.
Na primeira, a Argentina sentia-se em casa jogando em Nápoles
contra a Itália. Tudo porque Maradona era o astro maior
do Napoli e pediu o apoio da torcida local. A Itália
sentia-se como se fosse visitante dentro de seu país.
No tempo normal, 1 x 1, gols de Schillacchi e Cannigia. Nos
pênaltis brilhou novamente a estrela de Goycochea e
o jogo terminou 4 x 3 para a Argentina.
Sua
rival na final seria a Alemanha Ocidental, que saiu na frente
com um gol de Brehme, contando com o desvio de Des Walker.
Os ingleses empataram depois com Lineker. O 1 x 1 persistiu
na prorrogação e nos pênaltis 4 x 3 para
o time de Franz Beckenbauer.
3º
lugar
A
Itália bateu a Inglaterra por 2 x 1 e ficou com o terceiro
lugar na sua Copa caseira.
Final
O
jogo foi daqueles amarrados, com muita marcação
no meio de campo e poucos chutes a gol. Aliás a final
foi bem o resumo do que foi aquela Copa, repleta de jogos
feios, chatos e tediosos.
Pinta
o cartão vermelho
Aos
20 da segunda etapa, Pedro Monzon fez falta violenta sobre
Jurgen Klinsmann e o juiz mexicano Edegardo Codesal não
teve dúvidas em mandar o atleta argentino para o chuveiro
mais cedo. Mesmo com um homem a mais a Alemanha não
conseguia impor seu domínio. Aos 40 da segunda etapa,
Dezzoti fez pênalti em Klinsmann e logo a seguir, Brehme
anotou o 1 x 0 que daria o tri para a Alemanha Ocidental.
Dezzoti ainda receberia o seu cartão vermelho por jogada
violenta sobre um adversário.
Enfim,
a Copa da Itália de 1990 deixava boas marcas apenas
para alemães e camaroneses, para os demais selecionados
e para a torcida esta foi uma competição para
se esquecer, tanto que a FIFA começaria a realizar
mudança visando a próxima competição
que aconteceria nos Estados Unidos em 1994 e da qual falaremos
no nosso próximo texto.
Confira
a ficha técnica da final da Copa do Mundo de 1990
Alemanha
Ocidental 1 x 0 Argentina
Data
e Local: 08/07/1990, Estádio Olímpico, Roma,
Itália
Árbitro:
Edegardo Codesal Méndez (MEX) auxiliado por Michal
Listkiewics (POL) e Armando Pérez Hoyos (COL). Público:
73.603 pessoas
Cartões
amarelos: Voeller, Troglio e Maradona. Expulsões: Monzon
e Dezotti
Gol:
Brehme, aos 39min do segundo tempo
Alemanha
Ocidental
Illgner,
Brehme, Kohler, Augenthaler, Buchwald, Berthold (Reuter),
Littbarski, Haessler, Matthaeus, Voeller e Klinsmann. Técnico:
Franz Beckenbauher
Argentina
Goycochea,
Lorenzo, Serrizuela, Sensini e Ruggeri (Monzon), Simon, Basualdo,
Burruchaga (Calderon), Maradona, Troglio e Dezotti. Técnico:
Carlos Bilardo.
Confira
a Classificação final da Copa do Mundo de 1990.
1)
Alemanha Ocidental
2)
Argentina
3) Itália
4) Inglaterra
5) Iugoslávia
6) Tchecoslováquia
7) Camarões
8) Irlanda
9) Brasil
10) Espanha
11) Costa Rica
12) Bélgica
13) Romênia
14) Holanda
15) Uruguai
16) Colômbia
17) Áustria
18) Escócia
19) União Soviética
20) Egito
21) Suécia
22) Estados Unidos
23)
Coréia do Sul
24)
Emirados Árabes Unidos

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