FUTEBOL DE ONTEM
TODAS AS COPAS DO BRASIL
1989 - PIONEIRISMO EM AZUL, BRANCO E PRETO
por
Sandro Varela
Olá
amigos do Distintivos.com.br. Estamos chegando com um novo
texto sobre o futebol do passado e a partir de agora falaremos
da Copa do Brasil, competição nascida em 1989
e que acabou se tornando uma tradição no calendário
nacional.
A
criação da Copa do Brasil
Em
1989, Ricardo Teixeira foi eleito o novo presidente da CBF,
substituindo a Octavio Pinto Guimarães e o discurso
do novo presidente, que um dia foi genro de João Havelange
era modernizar a entidade e o futebol nacional. O que seria
um bom passo adiante, visto que o antecessor muitas vezes
deixava o circo pegar fogo, ou simplesmente sumia para ir
acompanhar ao vivo corridas de Fórmula 1. Uma das promessas
de campanha, que logo foi efetivada seria criar um torneio
nos mesmos moldes de várias Copas européias.
O principal atrativo seria o fato de o campeão ganhar
uma das vagas para a Taça Libertadores da América.
Nas
primeiras edições apenas o campeão e
o vice dos estaduais garantiam vaga para disputar a competição.
Desde a primeira edição foi adotado o critério
do “Gol qualificado”, ou seja, o gol fora de casa
tem peso maior no desempate.
Primeira
fase
A
primeira fase, disputada entre os dias 19 e 22 de julho de
89 contou com jogos disputados no sistema de ida e volta.
Para facilitar a compreensão dos amigos leitores o
time que aparecer à direita do que foi citado, fez
o jogo da volta em sua casa.
Um
lado da chave
O
Rio Negro do Amazonas e o Vasco mediram forças. No
Vivaldão, empate por 1 x 1, na volta o Vasco passou
com vitória por 2 x 1. O Vitória da Bahia passou
pelo Avaí de Santa Catarina com vitória em Salvador
por 2 x 0 e derrota em Florianópolis por 1 x 0. O Guarani
de Campinas acabou com o sonho do Flamengo do Piauí
com uma vitória por 3 x 1 em Campinas e empate por
1 x 1 em Teresina. O Sport Recife empatou sem gols com o Fortaleza
e conseguiu uma suada vitória na Ilha do Retiro por
1 x 0. O Atlético Mineiro trucidou o América
de Natal com duas vitórias, uma no Machadão
por 3 x 0 e outra no Mineirão por 7 x 0. O Internacional
empatou no Rei Pelé, em Maceió com o CSA por
0 x 0 e ganhou no Beira-Rio por 2 x 0 e o Goiás avançou
com duas vitórias por 1 x 0, no Castelão em
Fortaleza e por 3 x 1 no Serra Dourada.
Outro
lado da chave
O
Flamengo venceu seus dois compromissos com o Paysandu, por
2 x 0 no acanhado Estádio da Gávea, com direito
a marca histórica - uma vez que Alcindo Sartori foi
o autor do gol número 1 da história da competição
- e 2 x 1 em Belém do Pará. O Blumenau despachou
o Operário de Campo Grande com um empate por 1 x 1
e uma vitória por 1 x 0 na cidade catarinense. O Sampaio
Correia do Maranhão quase complicou a vida do Corinthians.
Na ida, em São Luis, a Bolívia querida venceu
por 3 x 2 e na volta, uma magra vitória por 1 x 0 salvou
a equipe paulista. O Tiradentes eliminou o Atlético
Goianiense com uma vitória por 1 x 0 na ida em Brasília
e um empate sem gols na volta em Goiânia. O Ibiraçu
do Espírito Santo conheceu a força do Grêmio,
levando duas derrotas. Na ida, 1 x 0 em terras capixabas e
na volta, um humilhante 6 x 0 no Olímpico. O Mixto
do Mato Grosso acabou com a alegria do Pinheiros, que meses
mais tarde se uniria ao Colorado e formaria o Paraná
Clube. Na ida em Curitiba, 1 x 0 para o Mixto e na volta 2
x 1 para o time local. O Bahia matou o Confiança de
Sergipe com duas vitórias por 1 x 0 enquanto que o
Cruzeiro só se salvou devido ao gol qualificado, uma
vez que empatou sem gols no Mineirão e suou para empatar
no campo do Botafogo da Paraíba.
Oitavas
de final
O
Vitória da Bahia eliminou o Vasco com um empate sem
gols no Rio e vitória no Manoel Barradas por 2 x 1.
O Sport Recife passou pelo Guarani com um empate por 1 x 1
no Brinco de Ouro e vitória por 1 x 0 na Ilha do Retiro.
O Náutico ainda deu uma complicada no Estádio
dos Aflitos, empatando por 1 x 1, mas perdeu na volta por
3 x 0 no Mineirão. Já o Internacional, que vinha
em fase descendente depois de ser eliminado pelo Olímpia
do Paraguai na Libertadores da América, deu adeus a
competição ao empatar sem gols no Beira-Rio
e levar uma sova de 4 x 0 em Goiânia.
O
Flamengo eliminou o Blumenau com dois resultados iguais, 3
x 1 em Blumenau e no Rio. O Corinthians arrasou o Tiradentes
no Pacaembu por 5 x 0 e nem mesmo a magra vitória por
1 x 0 ajudou o time do Distrito Federal. O Grêmio aplicou
uma surra em Cuiabá no Mixto por 5 x 0 e nem precisou
jogar a partida de volta, uma vez que o time mato-grossense
nem compareceu, caracterizando o WO. Por fim, o Bahia perdeu
do Cruzeiro no Mineirão por 1 x 0, mas eliminou o time
de Minas por 2 x 0 na Fonte Nova.
Quartas
de Final
No
clássico nordestino, o Sport avançou. Na ida
em Salvador, o Vitória da Bahia venceu por 1 x 0, mas
perdeu por 2 x 0 em Recife. Seu adversário na semi-final
seria o Goiás, que ganhou no Serra Dourada do Atlético
Mineiro por 3 x 0 e nem mesmo a vitória do Galo por
2 x 0 no jogo de volta foi suficiente para brecar o alviverde
goiano, que tinha como destaque maior um centroavante folclórico,
da mesma escola de Dario José dos Santos, o Dadá
Maravilha. Seu nome, Túlio.
O
Flamengo fez o clássico do povo com o Corinthians.
Na ida, vitória carioca por 2 x 0 no Maracanã
e na volta, nem mesmo a vitória por 4 x 2 no Pacaembu
ajudou o “Timão”. O adversário da
equipe carioca na semi-final foi o Grêmio que despachou
o Bahia com duas vitórias, a primeira foi em Porto
Alegre, por 2 x 0 e a segunda na Fonte Nova por 1 x 0.
Semi-final
O
Sport conquistou o direito de ir à final da primeira
edição do novo torneio nacional ao eliminar
o Goiás. Na ida, no Serra Dourada, o time verde de
Goiânia fez valer sua força ao bater a equipe
de Pernambuco por 2 x 1, mas esse gol solitário do
Sport fez toda a diferença, uma vez que deixava a equipe
rubro-negra dependendo de uma vitória simples por 1
x 0 para avançar e foi exatamente isso que aconteceu.
O Sport, na sua casa, venceu o Goiás por 1 x 0.
Na
outra partida das semi-finais, o Grêmio acabou com o
sonho carioca. Na ida, no Maracanã, tivemos um empate
por 2 x 2. No jogo da volta, a equipe de Mazarópi,
Assis (irmão de Ronaldinho Gaúcho) e Cuca (atual
técnico do Botafogo do Rio) não teve a menor
piedade do Flamengo, numa espécie de revanche para
o rubro-negro carioca, uma vez que o “Mengo” ganhou
um título brasileiro dentro do Olímpico em 1982.
O jogo, 6 x 1 para o Grêmio.
Final
Dois
jogos definiriam aquele que seria o primeiro campeão
da Copa do Brasil. No jogo de ida, dia 26 de agosto de 1989,
um empate sem gols na Ilha do Retiro dava mais emoção
a decisão deste torneio. No jogo de volta, disputado
no Estádio Olímpico, o Grêmio tinha a
obrigação de vencer e começou fazendo
a sua parte aos nove minutos de jogo, com um gol do então
moleque Roberto de Assis Moreira, ou simplesmente Assis. A
maioria dos 62 mil pagantes daquela tarde ensolarada em Porto
Alegre acreditava que a festa era uma simples questão
de minutos, mas não contavam com uma falha do goleiro
Mazarópi, que acabou jogando uma bola para o fundo
da própria rede, empatando a partida.
O
1 x 1 dava o título ao Sport e o medo de uma nova derrota
gaúcha para um time do Nordeste passou pela cabeça
de muito torcedor gremista naquela tarde, já que meses
antes, o Internacional perdeu o Campeonato Brasileiro de 1988
para o Bahia dentro do Beira-Rio com o empate sem gols arrancado
pela equipe baiana. Porém, a história foi bem
diferente para alegria da torcida tricolor, uma vez que aos
sete minutos da segunda etapa Cuca desempatou a partida, dando
o título da primeira Copa do Brasil ao Grêmio.
Como
premio pela conquista, o Grêmio disputou ao lado do
Vasco, Campeão Brasileiro e 1989 a Taça Libertadores
de 1990.
No
nosso próximo texto falaremos da edição
de 1990, que teve o Flamengo como campeão.
Um
abraço e até lá.
Confira
a ficha técnica da Final da Copa do Brasil de 1989.
Grêmio
2 x 1 Sport Recife
Data
e Local: Porto Alegre, 02/09/1989
Juiz: José de Assis Aragão
Público: 62.807
Gols: Assis (Grêmio) 9 e Mazarópi (Gol contra
para o Sport), aos 31 do 1º T. Cuca (Grêmio) aos
7 do 2º T.
Grêmio: Mazarópi; Alfinete (Trasante), Luís
Eduardo, Edinho e Hélcio: Jandir, Lino, Assis e Cuca;
Nando (Almir) e Paulo Egídio. Técnico: Cláudio
Duarte
Sport:
Rafael; Betão, Márcio Alcântara, Aílton
e Aírton; Rogério (André), Lopes (Edinho),
Joécio e Barbosa; Marcus Vinícius e Édson.
Técnico: Nereu Pinheiro.
Confira
a classificação final da Copa do Brasil de 1989
CLASSIFICAÇÃO
1º Grêmio (RS)
2º Sport Recife (PE)
3º Goiás (GO)
4º Flamengo (RJ)
5º Atlético (MG)
6º Vitória (BA)
7º Corinthians (SP)
8º Bahia (BA)
9º Tiradentes (DF)
10º Mixto (MT)
11º Guarani (SP)
12º Vasco (RJ)
13º Cruzeiro (MG)
14º Internacional (RS)
15º Náutico (PE)
16º Blumenau (SC)
17º Sampaio Corrêa (MA)
18º Avaí (SC)
19º Botafogo (PB)
20º Rio Negro (AM)
21º Operário (MS)
22º Atlético (GO)
23º Atlético (PR)
24º Fortaleza (CE)
25º Flamengo (PI)
26º CSA (AL)
27º Pinheiros (PR)
28º Confiança (SE)
29º Ferroviário (CE)
30º Paysandu (PA)
31º Ibiraçu (ES)
32º América (RN)

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